A novela em torno da implantação de uma loja do Atacado dos Presentes no bucólico e histórico bairro do Poço da Panela está longe de terminar. Semana passada, dois abaixo-assinados virtuais foram lançados na Internet. Um contra e outro a favor. E desde 2019, que a documentação para construção do lojão tramitava sem problemas na burocracia da Prefeitura. Mas hoje a própria Secretaria de Mobilidade e Controle Ambiental indeferiu o licenciamento ambiental, por achar que faltam informações sobre o “potencial degradador” da obra.
Tema de livros de autores consagrados no século passado – como Mário Sette (Os Azevedos do Poço) e Carneiro Vilela (A Emparedada da Rua Nova) – o bairro é conhecido, também, pelas suas tradições libertárias. Era ali, que José Mariano e sua mulher, Olegarina, ajudavam os negros escravizados a fugirem dos seus algozes pernambucanos, colocando-os em barcos que iam pelo Rio Capibaribe até o Porto do Recife, de onde eles seguiam para o Ceará, que havia se antecipado à abolição da escravatura. Foi, também, na casa localizada no sítio onde morava o casal abolicionista, que o educador Paulo Freire alfabetizou sua primeira turma que lhe valeria respeito mundial e o exílio forçado pela ditadura.
Como se sabe, o Poço da Panela é um bairro histórico e está entre os que mais preservam o passado no Recife, com seus casarões dos séculos passados. O “indeferimento ambiental” da Semoc se refere ao processo nº 8007804820, justamente o que trata do assunto. O empreendimento, com três pavimentos, deve ter dois subsolos e 21.072 metros de área construída, em terreno de 12.152 metros quadrados. A previsão é que receba de 2.000 a 3.000 carros por dia. Moradores que são contra consideram que o projeto é inadequado para as características do Poço da Panela. Já os que são a favor defendem que ele gerará empregos para trabalhadores da Zona Norte.
De acordo com o documento que circulou nas redes sociais na tarde dessa segunda-feira, foi “cancelado o licenciamento”, porque “o relatório ambiental preliminar não contempla análises de impactos ambientais, relacionados ao ambiente histórico e cultural, assim como eventual impacto na mobilidade”. Ou seja, a análise do “potencial degradador” não está completa. A empresa tem 45 dias para contestar a exigência ou apresentar o relatório em questão. O #OxeRecife solicitou informações mais detalhadas à Assessoria de Imprensa da Semoc, mas até 18h não havia retorno sobre a confusão. Com seu Campus Casa Forte quase vizinho ao empreendimento, a Fundação Joaquim Nabuco também se posicionou contra o empreendimento, e criou um terceiro abaixo assinado virtual, em defesa do tombamento dos seus prédios e da área do entorno, o que pode criar novos obstáculos à implantação do lojão na área.
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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

OxeRecife!
É com alegria e carinho que leio uma matéria desta. Linda crônica, poética e informativa, agradável matéria jornalística. Só temos que agradecer e lembrar as lições que a Pandemia pode.nos dar
A cidade pst pandemia, mais humana não dispensa uma boa gestão. Vamos ver de fato o que o Poço e o que o Povo do bairro precisam. Obrigada .
Disponha sempre desse espaço, Vírginia!
Vocês tem o link a favor da construção? Tem uma galera querendo assinar..