Zé Pereira festeja cem anos no Recife

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Zé Pereira, gente, é uma instituição. E, do alto do seu centenário, constitui uma novidade no carnaval do Recife. Antes, foi o Homem da Meia Noite que, pela primeira vez em seus 87 anos, subiu o mais conhecido morro da Zona Norte do Recife, para reverenciar Nossa Senhora da Conceição e Yemanjá. Foi o primeiro evento inédito do carnaval de 2019 na nossa cidade. O segundo acontece na tarde da quarta-feira (27), naquele que promete ser um programa imperdível: Zé Pereira,  desembarca às 17h no Cais do Sertão, no Bairro do Recife. E chega em grande estilo: com a namorada Vitalina.  Para os que não sabem: Zé Pereira é o boneco gigante mais antigo de Pernambuco. Completa “só” cem anos, em 2019.

No Cais, será reverenciado por nada menos de 25 bonecos gigantes de Olinda, orquestras de frevo e personagens da nossa cultura popular, como caboclos de lança, passistas, papangus e caiporas. A iniciativa é da Secretaria de Turismo de Pernambuco. Sinceramente, gostei muito, mas muito mesmo, dessa novidade.  Pelos livros, eu já conhecia a história de Zé Pereira, mas é a primeira vez que verei os seus grandes olhos azuis, assim, ao vivo e de tão pertinho. O nascimento e vida de Zé Pereira e Vitalina são muito bem contados no livro Os Gigantes Foliões de Pernambuco, de Olimpio Bonald Neto, que é um clássico sobre o tema.  No trabalho, Bonald disserta sobre a origem de Zé Pereira e sua galega namorada.

Refere-se ao casal como “figuras fantásticas os bonecos foliões que habitam a ribeira do São Francisco”. Zé Pereira e Vitalina viajaram nada menos de 486 quilômetros entre sua terra natal (Belém de São Francisco) e o Recife, para fazer uma festa inédita na capital do frevo. Evoé! E anunciaram em meio a uma festa em plena caatinga, que viriam à Caital. E aqui desembarcam da mesma forma que costumam fazer, anualmente, no carnaval de Belém do São Francisco: de barco. “Todos os anos, a cidade abre o carnaval com a chegada do casal, que vem numa barca bem enfeitada e iluminada de uma das ilhas do Rio São Francisco e é recepcionada na sexta-feira antes do carnaval, no porto da cidade e de lá toma conta da folia que vai até a quarta-feira de cinzas”, revela Bonald.

No Recife  que ao invés de chegar de canoa ou a bordo de algum barco ostentando uma carranca, o famoso casal chega de catamarã.  “Zé Pereira, figura folclórica que vem animando o carnaval de Belém do São Francisco é íntimo do povo”, dizia o escritor, em 1949, quando o gigante completara 70 anos. Afirma Bonald que em Belém do São Francisco não há idoso “que não guarde reminiscência de  sua infância do medo que ele incutia nas crianças e  também da animação que ele trazia para todos”.  Hoje, incansável e folião, Zé Pereira não vai enriquecer apenas o carnaval de sua cidade sertaneja. Mas também o do Recife, cuja maior festa popular – apesar de maravilhosa e democrática – se repete a cada ano. E que bom que a novidade chega com um folião que tem “somente” cem anos

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Texto: Letícia Lins/ #OxeRecife
Fotos: Setur PE/ Divulgação

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