“Voo Solidário” transporta saguis-da-serra-escura para reprodução no Sul do Brasil: ameaçados

Ao contrário dos saguis que são facilmente observados no Nordeste, aqueles com tufos brancos (Callithrix jaccus)  – que entram nas nossas casas sem a menor cerimônia (pelo menos na minha) –  os que ocorrem no Sul e Sudeste do Brasil estão ameaçados. Por esse motivo, dois saguis-da-serra-escura (Callithrix aurita), acabam de ser levados para Porto Alegre. São dois machos – Lindo e Ursinho – que devem contribuir para a reprodução da espécie, pois há fêmeas à espera deles. Os dois nasceram e foram criados no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres da Universidade do Vale do Paraíba (CRAS/UNIVAP), que fica em São Paulo.

Eles viverão no Parque Zoológico Sapucaia do Sul (RS), onde devem constituir famílias, seguindo recomendações de programa de conservação. A viagem dos dois animais foi feita pelo Voo Solidário da Latam, que reduziu o tempo do percurso de  16 horas e quarenta minutos para menos de duas. É que ao invés da viagem por via terreste (que estressa os animais) eles embarcaram por via áerea.  O Voo Solidário da Latam existe há onze anos, período em que o programa já teria ajudado a proteger mais de 4,6 mil animais silvestres no Brasil, de acordo com números da própria Latam.

Os animais fazem parte do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas da Mata Atlântica do ICMbio, por meio da recomendação do studbook keeper (consultor genealógico), que promove a conservação da espécie pelo estudo da população dos indivíduos sob cuidados humanos. O objetivo é garantir o tamanho satisfatório, estabilidade demográfica e diversidade genética dos animais.

Curioso é que enquanto o sagui-da-serra-escura é considerado como animal ameaçado, o seu primo nordestino, o sagui-de-tufo-branco é visto com frequência em áreas urbanas do Recife. Até entram nas casas, para roubar frutas. Aqui na minha, eu já coloco frutas na varanda, por onde passam quase diariamente, para se alimentar. Vivem em liberdade completa, mas tenho com eles uma relação de amizade. Conheço alguns pelos nomes que coloquei, vejo as fêmeas grávidas, que depois aparecem com bebês, que os percebo adolescentes posteriormente e, depois, adultos procriando de novo. Adoro esses animais, porém me revolta a exposição que eles (e primatas de outras espécies) têm nas redes sociais, onde viraram pets de luxo não só no Brasil mas em muitas outras partes do mundo. São vestidos como gente, se alimentam de comidas processadas e, às vezes, revelam impaciência com o ambiente doméstico. Não sei como é a legislação em países como a China, Tailândia, Filipinas, onde são domesticados frequentemente. Mas no Brasil ter animal silvestre em casa é crime ambiental. E por que a fiscalização não dá uma vasculhada para coibir o abuso nas redes sociais? Cada animal que é retirado do seu ambiente natural faz falta à natureza. Será que esses “criadores” não lembram disso?

No vídeo abaixo, confira a visita que recebi hoje dos meus amigos de tufos brancos. Lindoooos.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação / Latam

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