Não conhecia essa criatura. Pois não possuo batom, base facial (ainda chamam assim?), rouge (como minha avó chamava, agora é blush), cílios postiços, rímel, sombra para os olhos. Na verdade, nunca fiz maquiagem nem para ir a casamentos ou formaturas dos filhos e netos. Mas acho muito bonito quem gosta de usar. Agora até os homens entraram nessa onda.
No meu caso, também não preciso tanto, porque circulo pouco pelo mundo fashion, comparecendo mais a caminhadas ou eventos culturais. Meu amigo Mucíolo Ferreira, jornalista e colunista social por um longo tempo, me envia uma homenagem que faz a um grande amigo, o maquiador Laércio AZ, figura queridíssima entre as “socialites” do Recife e, considerado pelas clientes como um “verdadeiro artista”, herdeiro dos saberes de outro profissional inesquecível do Recife, Múcio Catão (1923-1985), que fez história na cidade. Afirma Mucíolo sobre o amigo, que morreu no domingo:
“Laércio era fera, o melhor e mais requisitado maquiador pernambucano, emergido após a era Múcio Catão. As maquiagens de noivas e debutantes para fotos de editoriais de revistas de moda, desfiles, eventos sociais e publicitárias eram impecáveis. Sua ausência será sentida no mundo fashion”
Laércio tinha 60 anos e sofreu uma trombose, no auge de sua carreira profissional. Já Múcio Catão, além de maquiador, era uma pessoa criativa, que fazia sucesso nos bailes à fantasia do Recife, no século passado. Aparecer na passarela era sinal de vitória, o que terminou levando comissões julgadoras a colocá-lo como hors concours. Outro profissional da área de beleza que fez sucesso no bailes à fantasia do Recife foi o saudoso Almir da Paixão (1953-2015), com quem cortei muitas vezes o cabelo, para mim o melhor corte de cabelo curto que o Recife já teve. Aliás, curtíssimo. Como eu usava na vida de repórter, que não tinha tempo nem para respirar. E precisava de corte prático. Lavou, seco ao ar livre -no meio da correria – , e estava tudo certo.
Nos tempos de Múcio e Paixão, não havia os preenchimentos, botox, marmonização facial. E a arte deles consistia justamente em reforçar a individualidade, a beleza, as características mais marcantes das mulheres que os procuravam. Hoje, infelizmente, minhas companheiras de gênero aderiram a uns procedimentos que vêm deixando todas iguais, plastificadas, com bochechas salientes e bocas imensas, que parecem xerox uma da outra. Também tenho vista pestanas do tamanho dos dedos. Algumas ficam tão artificiais, que estão parecendo reborns.
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Redes sociais.
