Uns dias antes da Semana do Meio Ambiente, algumas pessoas residentes em município vizinho me telefonam para denunciar devastação de vegetação nativa, que são resquícios da nossa degradada Mata Atlântica. Meu foco, como vocês sabem, é o Recife. Mas como os grandes meios locais de comunicação se omitem sobre problema ecológico tão grave, termina sobrando para mim, que mantenho esse espaço alternativo, que tem como um dos focos a questão do meio ambiente.
E dessa vez a demanda veio do município de Paulista, onde estive em companhia de um amigo, Fernando Batista, que é morador do bairro do Janga. Fernando é antropólogo, mas tem alma de botânico, e vem a ser o maior semeador de baobás do Brasil. Ele até defendeu uma dissertação de mestrado sobre a importância religiosa dessa árvore sagrada nos terreiros de candomblé. E prepara-se para fazer doutorado sobre o mesmo assunto na Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Antes de irmos àquela cidade – aqui tão pertinho, a apenas 15 quilômetros do Recife – tivemos o cuidado de entrarmos nas duas versões do Google sobre mapas. O primeiro para vermos as localidades que iríamos. O segundo para observamos pelas imagens de Satélite, o tamanho do buraco na natureza. Não do buraco na camada de ozônio, mas sim os provocados pelas clareiras e terras devastadas no município vizinho. Ao chegar lá, vimos que o bicho está pegando. Logo em seguida, estivemos em três matas, assim chamadas pela população local: Mata do Frio, Mata do Janga e Mata do Engenho Maranguape. Ao longo dessa semana verde, faremos postagens diárias abordando cada uma das que visitamos em Paulista.

Observamos devastações terríveis. Colhemos depoimentos de moradores da cidade, quanto às consequências desse absurdo ambiental que se observa ali, onde árvores centenárias e fruteiras nativas vêm sendo irresponsável e criminosamente derrubadas. Meu amigo Fernando – que mora naquela cidade há 20 anos – teve o cuidado de documentar o que resta de flores e frutos em algumas dessas matas. Duas tiveram áreas imensas derrubadas, para construção de condomínios. Em uma outra, há uma fábrica em implantação. Também observa-se muita cobertura sendo destruída, para retirada de barro. Alô, alô, Ibama, não está vendo isso não? Alô, alô, Ministério Públlico, fica tudo assim mesmo? Ninguém faz nada não?
Esta semana vamos abordar, diariamente, a questão do meio ambiente. Como vocês sabem, o #OxeRecife faz campanha contra derrubada de árvores. Só esse ano, já são 26 postagens denunciando mutilação ou “assassinato” de árvores nas ruas do Recife. Para atender o espírito da coisa, entre nesse link: “Parem de derrubar árvores” .
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Fernando Batista / Cortesia