Vaquinha na Internet: “Salve o Holiday”

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É muito triste a situação dos moradores do Edifício Holiday, que tiveram que deixar seus apartamentos, por força de ordem judicial. Muitos dos residentes investiram tudo que possuíam na compra do imóvel próprio e agora não sabem o que fazer, pois se defrontam com o risco de perder o patrimônio que levaram toda uma vida para construir. E se transformaram em pessoas sem teto de um momento para outro.

Qualquer edificação (casa, edifício, ponte, igreja, museu, escola) exige manutenção periódica o que, pelo visto, não acontecia ali. Eram  infiltrações, corrosões no concreto e fiações expostas, que ameaçam a segurança dos suas 475 famílias, cerca de 2 mil moradores. Isso porque na situação em que está, o risco de incêndio é muito grande. Ou seja, o prédio virou prenúncio de tragédia anunciada. E não só o Recife, mas o próprio país, está cheio de exemplos de consequências da falta de manutenção, não só em condomínios como até mesmo em museus, como foi o caso do Nacional, no Rio de Janeiro.

Lixo não é privilégio do Ed. Holiday. Olhem a quantidade acumulada no quintal da Policlínica Albert Sabin , que é oficial.

Então, em se tratando de prevenção de incêndio, todo cuidado é pouco. Mas pelo que se observa, o problema se agravou em consequência de dois fatores: descuido dos moradores, pois as gambiarras se espalhavam por todo o edifício, sem falar  em outros  tipos de relaxamento de efeito explosivo, como as três toneladas de lixo que foram retiradas do edifício. Como é que se deixa, acumuladas, três toneladas de lixo, seja o imóvel um prédio ou uma repartição?  O segundo fato é a omissão do poder público e de prestadoras de serviço. Vou sempre à praia de Boa Viagem  e retorno pela Rua Ribeiro de Brito, de onde costumo observar o edifício, que é cercado por prédios novos e de luxo, com suas vidraças reluzentes. Sempre me preocupei com a sua situação do Holiday, como também sempre me chocou o excesso de sujeira  que chegava ao meio da rua.

Os problemas do Holiday, que se assemelha a uma favela vertical – apesar de ser um marco da arquitetura moderna – não são de hoje E por que, então, só se tomou uma providência quando a situação ficou insustentável? Será que não havia um jeito de ter entrado antes em entendimento civilizado com o condomínio, ter dado prazos maiores para as devidas providências e para mobilização da sociedade, em busca de ajuda e recursos?  Ficar sem teto, de uma hora para outra, já é ruim para uma família. Imaginem para quase 500. O problema vira um clamor. Felizmente, vários órgãos estão se reunindo para ajudar, incluindo o Governo do Estado, Prefeitura e igrejas, como a Católica e evangélicas.  A sociedade civil também está mobilizada. Foi aberta uma vaquinha na Internet, para ajudar a todos aqueles que estão sem teto.  Eis o link:  https://www.vakinha.com.br/vaquinha/salve-o-edf-holiday.  A ideia é que, com R$ 400 mil arrecadados em investimentos, já seja possível aos moradores retornarem. Vamos torcer para que isso aconteça logo, porque casa em que você escolheu para morar é como ninho: abriga. Por pior que o abrigo seja.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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