Usina “cultiva” cultura no “Solo da Arte”

Localizada na Zona da Mata Sul, a Usina de Arte é um empreendimento cultural que precisa ser conhecido não só pelos pernambucanos, mas por todos os brasileiros. E também por turistas estrangeiros. É um verdadeiro museu ao ar livre, que chega a ser comparado ao Instituto Inhotim, que é reconhecido como o maior museu a céu aberto do mundo. A Usina de Arte fica em Água Preta, a 135 quilômetros do Recife. Já o Instituto Inhotim se situa em Brumadinho, a 62 quilômetros de Belo Horizonte. A Usina de Arte de Pernambuco foi inspirada no modelo mineiro.

Mas talvez seja ainda mais interessante. Porque mostra – em um só lugar – os vestígios da poderosa agroindústria açucareira, da qual muitas ferragens foram transformadas em obras de arte.  É que a Usina de Arte funciona em terras onde ficavam os engenhos e a sede da Usina Santa Terezinha, que foi a maior produtora de álcool e açúcar do Brasil nos anos 50 do século passado. Com a crise que se abateu no setor sucroalcooleiro , a usina deixou de moer cana mas passou a “moer” cultura. E o verde dos seus canaviais vem sendo substituído por 10 mil mudas de 650 espécies vegetais, em ação de reflorestamento que mudou por completo a paisagem antes tomada pela lavoura da cana.

Peças que fizeram parte do parque industrial da Usina Santa Tereza ganharam novos significados.

A  Usina possui 40 obras de arte espalhadas em uma área de 33 hectares. Mas a nova usina não é só para se ver. É para se viver, aprender, para mudar a realidade antes imposta pela monocultura da cana. Tanto é assim, que o  Parque Artístico Botânico, o eixo central da iniciativa, irriga outras ações de desenvolvimento para a criação de estruturas para geração de renda para a comunidade de 6 mil moradores no entono do projeto. Ali funcionam escola de música, biblioteca e centro de conhecimento público com mais de 5 mil títulos, FabLab com terminais de computadores conectados à internet, impressoras em 3D e cortadora a laser para projetos da comunidade.

Também foi feita parceria com as unidades escolares no apoio de novas práticas pedagógicas. O objetivo é estimular o turismo, e a consequente atividade econômica na região da Mata Sul de Pernambuco por meio do incentivo ao empreendedorismo na localidade, que viu nascer em seu entorno um total de dez restaurantes, pousada, pesque-e-pague, centro de artesanato, guias para passeios ecoturísticos, camping e a cultura de hospedagens domiciliares. E disseminar cultura. Por conta da pandemia, a programação de cursos e oficinas da Usina de Arte sofreu algumas mudanças. Mas agora as ações estão de volta.  No passado, a cidade de Água Preta  chegou a ser muito estudada por pesquisadores e cientistas, como Nelson Chaves e Malaquias Batista. É que a maior parte da população vivia em situação de miséria,  e o município foi citado como exemplo das más consequências da subnutrição no desenvolvimento das pessoas no século passado. Entre elas, a baixa estatura.

Essa locomotiva puxava o comboio que transportava cana dos engenhos para a usina Santa Tereza, em PE

Entre 18 e 21 de março, a Escola de Música e a Biblioteca da Usina de Arte serão palco da primeira fase do projeto O Solo da Arte, uma série audiovisual de três episódios com oficinas musicais, cujas gravações acontecem de forma real com jovens do entorno da Usina Santa Terezinha. Executadas pelo Festival Arte na Usina, as atividades terminarão com performances nas obras do acervo do museu.

Ao longo dos quatro dias, os estudantes poderão vivenciar as oficinas de Composição Musical (com Juliano Holanda); Canto – o impulso na voz e no corpo (com Renata Rosa); Iniciação à arte do DJ (com Pepe Jordão); e Percussão com Material Reciclável (com Tarcísio Resende). As inscrições, gratuitas, ainda podem ser feitas pelo e-mail osolodaarte.usina@gmail.com . A ação formativa está sendo possibilitada por meio do Prêmio Funarte de Festivais de Música 2021 – via Funarte/Governo Federal.

Abaixo, você confere informações sobre outras instituições que fazem cultura no interior de Pernambuco.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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