“Uma História da Arte” contada por mãe e filha, de forma incomum: diversão, informalidade, ironia

 “Uma História da Arte” contada por mãe e filha, de forma incomum: diversão, informalidade, ironia

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É comum que encontremos livros com excessos de “economês”, “juridiquês”, quando o assunto é Economia ou Direito. Também é fácil nos defrontarmos com textos teóricos cansativos em publicações sobre História, Ciência Política, Literatura. E na Arte? Dia desses recebi o catálogo de uma exposição com texto tão hermético, mas tão hermético, que duvido que todo o mundo o tenha lido de cabo a rabo. Na verdade, era um cansaço. Eu inclusive precisei de algumas explicações, para produzir um post aqui para o #OxeRecife, porque – algumas vezes –  era difícil entender o que estava escrito.

Em compensação, há publicações deliciosas, também, em todas essas áreas, daquelas que você começa a ler e não consegue parar. Provavelmente estas incluem “Uma História da Arte”, livro feito a quatro mãos por mãe e filha –  Elvira (1947-2017) e Carolina Vigna – e que traz abordagens que vão dos desenhos rupestres até as manifestações de arte contemporânea. A publicação discorre sobre artistas “sem fabricar mitos”, embora alguns daqueles já o tenham se transformado ao longo da história, como os italianos Gian Loreno Bernini (1598-1680) – autor da escultura na foto acima) e Ticiano Viecelli (falecido em 1576), que pintou o célebre “O Concerto Campestre” (foto abaixo).

As autoras tratam com informalidade gênios da pintura, como Ticiano, autor de “O Concerto campestre”

“O livro traz uma linguagem um pouco mais sacana, mais irônica, falando de obras e artistas que viveram séculos atrás, como gente como a gente”, afirma Carolina. Um exemplo: Gian Lorenzo Bernini, representante do barroco italiano do século 17. “Todo mundo lembra de O êxtase de Santa Tereza, porque é uma santa com cara de gozo, ai que preguiça”, ironiza Carolina, referindo-se à escultura confeccionada entre 1647 e 1652, e que é considerada uma das obras barrocas mais fantásticas de Bernini e também a mais escandalosa. Bom, também,  “falar de Apolo e Dafne, que está na Galleria Borghese, em Roma”. Segundo as autoras, a escultura “deveria ser obrigatória em tudo que é curso de comunicação”. E explicam o motivo, com uma boa pitada de ironia: “É o storytelling antes de ser modinha”. Lembram que o escultor Bernini conseguiu contar a história na qual Dafne prefere virar árvore a ficar com Apolo “por meio de uma única estátua”, afirmam referindo-se à famosa obra esculpida entre 1622 e 1625.

Livro de Elvira Vigna e da filha Carol Vigna (foto em PB) trata com ironia e bom humor a história da Arte.

Por aí, já dá para perceber que, na verdade, o livro faz uma brincadeira, uma informalidade com a arte, ao longo de suas 340 páginas. Mas não quer dizer menosprezo com a cultura. Ao contrário, o assunto sempre fascinou as duas. Tanto foi assim, que mãe e filha faziam cursos juntas, frequentavam exposições, visitavam museus. Aí, começaram a escrever o livro “a quatro mãos e a quatro olhos”, com muito bom humor em 2015. Porém, em 2017, Elvira faleceu. Com a morte da mãe, escritora premiada, jornalista, ilustradora, crítica de arte,  o trabalho foi interrompido e só retomado em 2019 por Carolina, que tem Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado em História da Arte. “No fundo, são todos os textos parte de uma mesma continuidade de pensamento”, afirma ela.  O livro acaba de ser publicado pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) e vai ser lançado nesta semana no Rio de Janeiro e em São Paulo.  O estilo leve e cheio de ironia facilita a aproximação com o leitor. O título está dividido em duas partes e a primeira traz textos escritos por mãe e filha.  Carolina lembra como foi difícil concluir o livro sem a presença da mãe.

“Esse foi um livro que começou de uma maneira muito gostosa e nossa. Nós duas íamos sempre juntas a exposições, cursos, etc. Foi dificílimo, para mim, terminar. Minha mãe ficou doente no meio do livro. Ela já sabia o que ia acontecer e se apressou para terminar o que ela queria escrever e me entregou. O diálogo que, em alguns casos, é frase a frase, foi muito, muito intenso. Mesmo no hospital, conversávamos sobre o livro. É ouvir a voz dela em cada palavra. Faltava pouco, mas minha mãe morreu antes do livro estar pronto. Eu levei anos para conseguir voltar ao livro depois disso”.

Uma História da Arte será lançado no  17 de janeiro em São Paulo e 19 de janeiro no Rio de Janeiro, das 19h às 22h.  Em São Paulo, na  Livraria Travessa Pinheiros (Rua dos Pinheiros, 513).No Rio, na Livraria Travessa Leblon (Avenida Afrânio de Melo Franco, 290 – Loja 205 A). O preços são R$ 50 (impresso) e R$ 20 (e-book). Também estará disponível nas livrarias da Cepe, no Recife e em Olinda.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação

 

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