Hoje foi dia de Caminhadas Domingueiras, pelas ruas do Recife. Isso porque o roteiro previsto – circuito barroco – só pode ser realizado no sábado, já que quase todos os monumentos religiosos incluídos na visita não abrem ao público aos domingos, entre eles a linda Capela Dourada. Mas antes de caminharmos, saindo do bairro do Espinheiro, uma surpresa: camiseta comemorativa da primeira década do Observatório do Recife – Cidadania com Atitude. O grupo foi formado por profissionais liberais, com a intenção de discutir o Recife e traçar planos para o futuro da Capital. Isso, em uma época em que a cidade liderava o ranking de agendas negativas. Era, inclusive, apontada como a mais violenta do Brasil.
A partir daí, cerca de 50 indicadores do Recife passaram a ser sistematizados, atualizados e utilizados em conjunto como diagnóstico em busca de soluções para melhorar a vida da cidade, da sua população. Em 2012, com a mudança de gestão, foi apresentado ao novo Prefeito o Projeto O Recife que Precisamos. A sociedade civil pedia um Recife diferente daquele que estávamos habituados a conviver: desordem urbana, trânsito selvagem, falta de respeito ao pedestre, lixo, rio poluído. Tudo isso ainda existe. Mas pelo menos, com a sociedade mobilizada, é mais fácil encontrar caminhos para tornar a cidade mais acessível e mais humana.

Um dos fundadores do Observatório do Recife, coordenador do Grupo Olhe pelo Recife e criador das Caminhadas Domingueiras – estas anteriores ao Observatório – o arquiteto e urbanista Francisco Cunha lista cinco princípios que norteiam o trabalho do Observatório, por um Recife melhor: Planejamento de longo prazo (hoje se pensa o Recife até 2037, quando completará 500 anos); controle urbano (“ainda não está bom, mas antes era pior, o caos”); destravamento da mobilidade; recuperação do Rio Capibaribe e revitalização do Centro. Este, cá para nós, está cada vez mais degradado. De fazer vergonha mesmo.
“Alguma coisa avançou na mobilidade. As calçadas passaram a ter a importância reconhecida, foram implantadas faixas exclusivas para bicicletas e para circulação de ônibus. A cidade também passou a ser observada de outra forma, com a idealização do Parque Capibaribe, com o conceito de transformar o Recife em cidade parque, diz Francisco, que é, também, o cicerone das nossas Caminhadas Domingueiras, quando – didaticamente – nos mostra os estilos arquitetônicos da cidade, o valor dos monumentos, a sua história, compara o Recife de hoje com o do passado.
Apesar do Rio Capibaribe continuar poluído, ele passa a ter uma outra importância com a criação do Parque Capibaribe, quando é a partir dele que 42 bairros recifenses serão beneficiados. Francisco Cunha acha, no entanto, que o centro do Recife necessita de um tratamento especial. “A nossa proposta é para incluir no Plano Diretor do Recife a obrigatoriedade de um projeto de desenvolvimento urbanístico estratégico para o centro”. É preciso mesmo. Hoje, enquanto visitávamos as igrejas barrocas do Recife – lindas por sinal – nos defrontamos com ruas sujas, praças totalmente abandonadas, poluição sonora, calçadas sem segurança (devido a buracos), prédios desocupados, degradação de paisagem. São agressões tão grandes que terminam por esconder a beleza arquitetônica dos velhos edifícios e igrejas do Recife. Por esse motivo, é preciso mesmo que façamos caminhadas cuidadosas, do tipo Olhe Pelo Recife, para se descobrir as riquezas da cidade. Antes que sejam ofuscadas pelo avanço desordenado da selva de concreto e sua crescente poluição visual.
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Texto e fotos: Letícia Lins/ #OxeRecife

Nossa cidade é tão linda, e lamento como se encontra tão abandonada pelo poder público. Dificilmente, encontramos uma rua que não tenha esgoto estourado, montante de lixo… Acredito que cada um de nós, fazendo a sua parte, não descartando o lixo nas ruas, varrendo sua calçada e apanhando o lixo. Precisamos de uma educação constante para não jogar lixo nas ruas, nos rios, por exemplo, ambulantes tbm descartam os sacos plásticos no chão… falta muita conscientização e educação do cidadão. Parabéns a iniciativa do grupo, por uma cidade melhor.