Compesa: Estouro de tubulações, desabamentos, crateras no asfalto, torneiras secas, vidas perdidas

 Compesa:  Estouro de tubulações, desabamentos, crateras no asfalto, torneiras secas, vidas perdidas

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Alguma coisa está errada com a Companhia Pernambucana  de Saneamento, a Compesa. O acidente da segunda-feira, na Avenida Recife – quando um carro caiu em uma cratera aberta no meio do asfalto, devido ao estouro de uma tubulação – vem se somar a uma série de outros, que vêm ocorrendo inclusive com vítimas fatais no Grande Recife. Os vazamentos são corriqueiros na Região Metropolitana, embora sempre haja um ou muitos bairros com torneiras secas. Diariamente a gente vê a população reclamando não só do vazamento ou despejo indevido de esgotos, como do derrame de água limpa nas ruas, em avenidas, em calçadas, em bairros sofisticados ou em comunidades de baixa renda. Quando isso ocorre nos altos e barreiras, a situação se complica e vidas passam a correr risco ainda maior.  Também há perigo no asfalto, como o que foi imposto ao motorista ( Alberto Silva) e à passageira (Petrúcia Prado)  do carro tragado embora  – por pura sorte – ambos tenham escapado ilesos.

Para se ter uma ideia da frequência com que ocorrem vazamentos, basta dar uma olhada nos meios de comunicação e nas redes sociais, para que se perceba o tamanho do descalabro. Até em cerimônia religiosa,  já vi padre pedir aos fiéis para rezar por melhor serviços prestado pela Compesa E, como diz o ditado, água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Quem costuma caminhar sempre, a pé, como costumo fazer, está habituado a ver vazamentos diariamente, em todos os bairros do Recife. Sempre tem cano jorrando. Mas quando o rompimento é de vez em canos mestres, aí a situação complica. Lembro-me muito bem de imagens chocantes que presenciei como repórter, em 1996, no Córrego do Boleiro, na Zona Norte do Recife, quando uma tubulação da Compesa rompeu, provocando deslizamento de barreira e arrastando dez casas. Foi uma grande tragédia. Doze pessoas morreram, mas não lembro a quantidade de feridos. Naquele dia, pensei que o governo estadual, o Ministério Público, a Justiça determinariam à Compesa mais segurança no sistema de abastecimento d´água, para evitar novos acidentes.

Mas eles voltaram a se repetir, nos anos posteriores embora em dimensões menores do que no Boleiro. Uma rápida pesquisa sobre estouros de tubulações mostra que eles são frequentes. Em 2009, no Ibura – área popular da Zona Sul – uma barreira deslizou, deixando cinco mortos e três feridos, devido a esse problema. Em 2016, no Córrego da Areia, na Zona Norte do Recife, um cano rompeu-se atingindo três casas, deixando um ferido. Provavelmente o acidente teria sido pior se dois dos três imóveis vizinhos não estivessem desocupados. Em 2017, em Dois Unidos, um outro acidente, pelo mesmo motivo, atingiu três imóveis deixando dois mortos e três feridos.Em 2018, também em Dois Unidos, uma criança de cinco anos ficou ferida em um desabamento provocado por um cano que estourou. Não precisa ir muito longe, aquela foto acima, foi um vazamento na rua onde resido, no bairro de Apipucos, após “modernização” do antigo sistema de abastecimento que servia ao bairro. Três dias depois da conclusão da obra, o vazamento já era absurdo. E se fosse no alto de uma barreira? E se demorasse mais, alguma cratera teria se aberto?

Os índices de perda de água em Pernambuco, chegam a 46 por cento, percentual maior do que no Brasil.  Já a abertura da cratera que engoliu um automóvel na Avenida Recife, segundo a Compesa aconteceu no momento em que uma equipe estava se deslocando ao local para avaliar mais um vazamento.  Que, por sinal, vinha sendo denunciado há dias pela população. Será que se o atendimento tivesse sido rápido, o asfalto teria cedido?  Pertinho da Avenida Recife, outro vazamento já produziu uma cratera, na Rua Álvaro Fragoso. As reclamações já foram feitas, mas até o momento, nada…  Quanto à Avenida Recife, a Compesa diz que acionou a Prefeitura do Recife para uma avaliação “conjunta” do acidente, já que o asfalto cedeu “em decorrência da drenagem”. Será? Não se sabe ainda quando tudo será resolvido. O que se sabe é que, com o rompimento e o estrago de água, oito bairros ficarão sem abastecimento, entre eles Areias, Jardim São Paulo, Caçote, Estância, Sancho e Tejipió, o que é comum em Pernambuco. Muita água nos reservatórios, água jorrando nas ruas e torneiras… secas!

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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