“Tubarão” em Candeias (Jaboatão dos Guararapes) não passa de um golfinho

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Desde 1992, Pernambuco registrou 82 ataques de tubarão, que resultaram em 27 mortes.  Dos ataques, 78 ocorreram na Região Metropolitana do Recife. Natural, portanto, que o bicho alimente, e muito, o imaginário popular. Quando a gente está na praia de Boa Viagem – mesmo em área não considerada de risco, com a maré baixa e sob proteção dos arrecifes –  sempre se ouve algum comentário do tipo “aqui tem tubarão?”.

Há alguns dias, houve mais uma prova desse do temor generalizado em relação ao peixe agressivo. É que nessa semana, as redes sociais ganharam imagem de “tubarão” circulando na praia de Candeias (em Jaboatão dos Guararapes), esperando a hora de dar o bote, bem  pertinho da faixa de areia. Claro, lugar de tubarão é no mar. Portanto, a presença do peixe na água não é para surpreender. Só que o  animal que apareceu no Litoral Sul e divulgado nas redes como se fosse, nem peixe  é. Era um mamífero marinho.

Tubarões já provocaram 82 ataques no Litoral de Pernambuco, desde 1992, onde há área com banho proibido

Tanto é assim, que a  Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha, por meio do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit),  informa que, “no vídeo veiculado nas redes sociais, observa-se claramente um mamífero marinho do grupo dos odontocetos (golfinhos), e não um tubarão”. De acordo com o Cemit, “aparentemente o animal está debilitado, mantendo-se quase imóvel para reduzir o gasto energético”.

A Secretaria Executiva do CEMIT informou que um responsável técnico do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA) já foi comunicado sobre um possível encalhe de golfinho na região, a fim de que a equipe permanecesse de sobreaviso para eventual necessidade de atendimento.

A nota lembra que, diferente dos mamíferos marinhos (que respiram com o orifício nasal fora da água), os tubarões (peixes cartilaginosos) captam o oxigênio dissolvido na água pela boca e o eliminam pelas fendas branquiais, localizadas nas laterais do corpo, necessitando estar em movimento para garantir a ventilação branquial. A Semas-PE lembra, ainda, que a nadadeira caudal  “é verticalizada, podendo ser visível quando o animal se aproxima da superfície”. No caso dos golfinhos, é o contrário e a cauda normalmente não é visível, quando estão à superfície”.

O Cemit lembra que na Região Metropolitana do Recife, as espécies mais frequentemente associadas a incidentes são o Carcharhinus leucas (tubarão-cabeça-chata) e o Galeocerdo cuvier (tubarão-tigre), ambas de hábitos predominantemente costeiros e associadas a áreas de elevada produtividade marinha, sendo sua presença considerada comum. No litoral de Pernambuco, que possui 187 km de extensão, apenas um trecho de 33 km é objeto de restrição à prática de esportes náuticos, conforme o Decreto Estadual nº 21.402/1999. A proibição de banho de mar ocorre exclusivamente em um ponto específico: um trecho de 2,2 km na Praia de Piedade, entre a Igrejinha de Piedade e o Hotel Barramares, ao lado do Hospital da Aeronáutica, no município de Jaboatão dos Guararapes, conforme o Decreto Municipal nº 79, de 26 de julho de 2021.

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