A Sessão Recife Nostalgia hoje vai para o Parque Amorim, uma das áreas mais conturbadas do Recife em dias atuais. Nem sempre foi assim. E, mais uma vez, apelamos para a pesquisa de Emanoel Correia, integrante de grupos que andam pela nossa cidade, em busca de sua beleza e de sua história. Conheci Emanoel no Olha! Recife. Depois o encontrei em Caminhadas Domingueiras, MeninXs na Rua, Caminhadas Culturais. Recentemente ele passou a integrar mais um grupo: o Preservar Pernambuco. Desde então convivemos sempre, trocando ideias e informações sobre a nossa tão querida cidade. Recentemente ele passou a postar valiosas contribuições sobre as paisagens passadas do Recife. E o #OxeRecife vai atrás, claro. Quem não gosta de saber das histórias de nossa cidade?
Já falamos sobre a Casa de Banhos e sobre o Restaurante Flutuante. Também sobre a coroação de Nossa Senhora do Carmo como Rainha do Recife e de Pernambuco. Olhem só a foto acima. Sintam como era tão gracioso o Parque Amorim, em meados do século passado. Sem o excesso de carros, sem poluição da fiação elétrica e das operadoras, e sem habitações verticais. “Se o recifense pudesse voltar no tempo, jamais permitiria a destruição do famoso parque, visitado e admirado por todos nos anos 50, pois guardava em seu espaço frondosos eucaliptos, belas esculturas e o famoso peixe-boi”, diz ele. E haja nostalgia. “Assim era o Parque Amorim, surgido de um terreno doado pelo Comendador Amorim nos alagados de Fernandes Vieira e que, em nome do progresso, foi dando espaço para os automóveis, na Avenida Agamenon Magalhães”. Lembra que o que resta hoje do parque “é um pequeno espaço público”.

Em outra postagem nas redes sociais dos grupos, o professor aposentado aborda o Palacete da família Amorim (Avenida Rui Barbosa, 1599), no mesmo bairro e no qual funciona hoje um dos setores da Universidade Estadual de Pernambuco (UPE). O sobrado em estilo eclético teve construção iniciada nos anos 1900 e foi ocupada pelo Comendador Amorim e sua família até 1940. “Hoje o solitário prédio guarda uma estória mal assombrada repetida por muitos curiosos e relatada em livro de Gilberto Freyre (Assombrações do Recife Velho)”, lembra Emanoel. E completa, recordando uma lenda que muito alimentou o imaginário de várias gerações: o Papa-Figo. “Em suas páginas, conta-se o fato de que um dos Amorins sofria de anemia profunda, o que o obrigava a comer fígado cru como parte do tratamento”.
Foi a senha, para o que se chamaria hoje, de fake-news. “Daí as pessoas inventaram a história de que ele raptava criancinhas para comer seu fígado”. Emanoel lembra que, aproveitando-se da lenda e do medo infantil, muitas mães usavam o medo para coibir trelas da criançada. “Levavam o filho para frente de casa para tocar o terror no malcriado”. Foi só ele fazer a postagem sobre o Papa-Figo, para muitas pessoas que integram os grupos contarem histórias a respeito da mais temida assombração da infância de muita gente. Se o papa-figo era um temor, salvou uma minha tia de um destino que talvez tivesse se tornado trágico. Pequenininha, um homem indagou a ela o nome de uma rua perto da que ela residia, em Casa Amarela. E onde brincava de roda com amigas. Orgulhosa, ela seguiu com o desconhecido, que passou a levar-lhe pela mão, como se fosse um tio, pai ou velho amigo da família. Mas a meninada que estava na rua com ela, gritou o alerta enquanto a menina se afastava: “Corre, Bebel, que é o Papa-Figo”. Minha tinha soltou a mão do desconhecido, e saiu em disparada para a casa dos pais. E 80 anos depois, está viva para contar história. E graças ao Papa-Figo.
Leia também:
Que saudade da Rua Nova
Poço da Panela: livro, passado e música
Sessão Recife Nostalgia: os cafés do século 19 na cidade que queria ser Paris
Sessão Recife Nostalgia: a coroação da Rainha do Recife e de Pernambuco
Sessão Recife Nostalgia: Casa de Banhos e o fogo das esposas traídas
Sessão Recife Nostalgia: o Restaurante Flutuante do Capibaribe
São José e Santo Antônio ganham livro: viagem por quatro séculos de história
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Acervo Fundação Joaquim Nabuco e Letícia Lins

Querida Letícia, muito obrigado por utilizar alguns dos meus textos, esteja sempre a vontade para usá-los, pois sei que eles tomarão um sentido mais concreto em suas palavras. abraços ! Emanoel Correia
O numero correto do imóvel é 1599.
Obrigada, Sério. Vou corrigir.
Meu falecido pai morou no bairro Graças ele nasceu em 1907 diz que tinha um homem que se alimentava de sangue e figado tinha um serviçal que saia pela ruas em busca de alguém para alimentar uma criança e muitas vezes meu pai ajudava essas pessoas a fugirem os muros eram altos e tinha um mangue atrás do muro não sei se é verdade naquela época meu pai devia ter uns 10 anos e quando a madrinha dele faleceu ele foi para um colégio de padre chamado Pacas também no Pernambuco ele falava séria tudo que viu nesse lugar do papa figo
Graça, até hoje o Papafigo povoa o imaginário popular no Recife. Cresci ouvindo muitas histórias a respeito.