Nem só de festa da subida da alegoria gigante do Galo da Madrugada vive essa quarta-feira, 11 de fevereiro. É que hoje é dia do Ubuntu, que chega à sétima edição em 2026, com o propósito de sempre: reforçar a ancestralidade e purificar os caminhos que levam a um carnaval de paz e proteção, sob as bênçãos de entidades que vão de Exu a Iemanjá. Nada menos de 28 afoxés participam da cerimônia, que começa logo cedo, às 6h, no Núcleo da Cultura Afro, no Pátio do Terço, no bairro de São José, com a preparação do banho de ervas.
A sacralização tem início ao som de oríkì, cânticos ancestrais e litúrgicos entoados por ialorixás e babalorixás dos afoxés. A cerimônia é coordenada por Mãe Fátima d’Oxum e Pai Marquinhos d’Ossaiyn. À tarde,a partir das 16h, os afoxés se reúnem para a lavagem da Avenida Rio Branco e seguem em cortejo até o Marco Zero, conduzindo o público em um ritual de purificação. No caminho, os ogãs, músicos dos terreiros de diferentes nações das religiões de matriz africana, marcam o ritmo que faz as saias girarem e embalam o cortejo com proteção e boas energias para os dias de folia.

As crianças, conhecidas como erês, também ganham destaque, encantando o público e reafirmando a alegria que atravessa a tradição. Os cânticos seguem o ritmo ijexá, são entoados em iorubá e exaltam entidades como Iemanjá, Exu, Oxóssi, Xangô, Ogum, Nanã, Oxum e Iansã. “O Ubuntu não é apenas uma celebração; é um chamado à resistência, à fé e à ancestralidade. Quando os afoxés tomam as ruas, é a história do nosso povo que ecoa em cada toque de tambor, em cada corpo que dança”, diz Dona Carmem Virgínia, idealizadora da cerimônia. Ela é iabassê do Afoxé Ogbon Obá e proprietária do Altar Cozinha Ancestral. Homenageada no Carnaval do Recife 2026, Dona Carmem tem a trajetória reconhecida por fortalecer a valorização da cultura negra. Ela convoca:
Convidamos todos a estarem conosco nesse grande ato de força, união e axé, abrindo os caminhos para um Carnaval que honra a cultura negra e suas raízes. O Ubuntu é um ato de amor e de afirmação do povo negro no Carnaval e na cidade. A gente vai às ruas para honrar quem veio antes, ocupar espaços com respeito e lembrar que a cultura afro-brasileira é fundamento da nossa identidade e precisa ser reconhecida, protegida e valorizada. A lavagem com as águas de Oxalá também é um pedido de paz, proteção e caminhos abertos, para que esse legado siga vivo, forte e presente no futuro.
Entre os destaques, o Ubuntu presta homenagem a Mãe Beth de Oxum, Patrimônio Vivo de Pernambuco; ao Afoxé Alafin Oyó, também Patrimônio Vivo de Pernambuco; e ao Afoxé Ylê de Egbá, Patrimônio Vivo da Cidade do Recife, reconhecendo trajetórias fundamentais para a preservação e continuidade das tradições afro-brasileiras. A edição deste ano também conta com participações especiais de Zezé Motta e Altay Veloso. o Projeto Ubuntu nasceu da articulação com lideranças dos afoxés e se consolidou como um espaço coletivo e democrático. A coordenação é realizada por uma comissão representativa que integra o Comitê dos Afoxés do Recife e RMR (COAFRE) e a União dos Afoxés de Pernambuco (UAPE). O evento celebra quem segue na luta e reverencia quem construiu caminhos para a preservação das tradições afro-brasileiras.
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Serviço
Cerimônia Ubuntu: “Deixando legado, pensando no futuro!”
Data: 11 de fevereiro
6h – no Núcleo da Cultura Afro, no Pátio do Terço, de São José – preparação do banho de ervas. A sacralização tem início ao som de oríkì, cânticos ancestrais e litúrgicos entoados por ialorixás e babalorixás dos afoxés. A cerimônia é coordenada por Mãe Fátima d’Oxum e Pai Marquinhos d’Ossaiyn
16h – Concentração – Boulevard da Rio Branco – Bairro do Recife
Cerimônia Ubuntu – Deixando Legados e Pensando no Futuro
11/02 (quarta-feira), a partir das 16h, no Boulevard da Avenida Rio Branco
Participam, respeitando a hierarquia tradicional: Afoxé ECN Ará Odé (1982); Afoxé Alafin Oyó (1983); Afoxé Ylê de Egbá (1986); Afoxé Oxum Pandá (1995); Afoxé Filhos de Xangô – UAPE (1999); Afoxé Filhos de Dandalunda (2000); Afoxé Povo de Ogunté – UAPE (2000); Afoxé Omim Sabá (2002); Afoxé Ilê Xambá (2004); Afoxé Omo Nile Ogunjá (2004); Afoxé Oyá Alaxé (2004); Afoxé Povos dos Ventos (2004); Afoxé Omó Obá Dê (2005); Afoxé Oxum Jagurá (2005); Afoxé Elegbará (2006); Afoxé Ogbô Obá (2007); Afoxé Yami Balé Gilê (2007); Afoxé Babá Orixala Funfun (2012); Afoxé Obá Iroko – UAPE (2012); Afoxé Omo Inã (2012); Afoxé Ara Omim (2014); Afoxé Aféfé Lagbará (2016); Afoxé Omolu Pa Kérù Awo (2016); Afoxé Filhos de Ayrá (2018); Afoxé Omo Lufan (2019); Afoxé Oyá Egun Nitá (2019); Afoxé Aganju Àseobà (2022); Afoxé Télà Ókó Ara Ejibo (2023).
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Camila Leão e Sérgio Bernardo / PCR
