Resiliência da natureza no Parque da Jaqueira: “Escultura” começa a brotar

 Resiliência da natureza no Parque da Jaqueira: “Escultura” começa a brotar

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É incrível a resiliência da natureza. Sabemos que um rio,  mesmo amargando décadas de poluição, volta a ter vida quando passa por processo de limpeza. Todo mundo tem conhecimento de áreas que estavam degradadas, com matas destruídas, que pareciam desertos. Mas que após a regeneração, volta a ter nascentes, flora exuberante e retorno da fauna. Nas ruas, vemos o esforço das vítimas de arboricídio e da motosserra insana para tentar  viver de novo.

Nos meios vegetais, aqui no Recife, um grande exemplo de resiliência fica no Parque da Jaqueira. Ali, bem pertinho da Capela de Nossa Senhora da Conceição, aquele singelo monumento, que data do século 18. Próximo ao templo, há uma obra de arte em madeira, sobre um pedestal. Na verdade, tem um bonito formato, mas não passa de um pedaço de tronco e galhos “contorcidos” de uma árvore degolada na nossa cidade.  Sem vida.  A “escultura” foi ali colocada há 38 anos, período em que permaneceu inerte, como uma estátua de concreto, bronze, ferro. Morta, portanto. O artista, João Chagas, fez uma homenagem à natureza, em inscrição em placa de bronze ali colocada, em 1984. A mensagem,  na placa desgastada pelo tempo, está quase ilegível. Mas não deveria.  Porque ela é mais interessante, ainda, do que a “obra” propriamente dita em exposição.  Aliás, faz parte dela. É a frase que dá significado à “escultura”.

Pois tem uma interessante mensagem, em defesa da natureza e mostra a importância das árvores para nossas vidas. Vejam que coisa bonita que ele diz, embora o frequentador do Parque tenha dificuldade para fazer a leitura na placa oxidada:

Ficam aqui  erguidos como obra de arte estes corpos contorcidos na tentativa de dar sombra, vento e talvez bons fluídos.

Pois a natureza o ouviu. Durante minha caminhada, passei no Parque da Jaqueira e observei que a “escultura” está brotando. Como uma flor, que nasce sobre a pedra. Um galhinho verde, já com folhas, dá sinal sobre a madeira morta, mostrando  – mais uma vez – a resiliência da natureza. O Parque da Jaqueira fica entre os bairros da Jaqueira e Graças, com entradas pela Avenida Rui Barbosa e Rua do Futuro. Tem sete hectares, e era o maior da cidade até 2014, quando foi  inaugurado o Parque Urbano da Macaxeira,também na Zona Norte. É o mais frequentado do Recife.  Fica em um sítio histórico, que pertencia a famílias abastadas no passado.

Depois pertenceu ao  INSS, que o cedeu em regime de comodato à Prefeitura do Recife. Posteriormente o órgão federal repassou a propriedade da área ao município.  Foi inaugurado em 1985. Entre outros atrativos, possui 91 espécies de árvores, sendo que a maioria é exótica, como jaqueiras e mangueiras, que têm origem na Ásia. O que não lhe reduz a importância. Possui  outras árvores frutíferas, como o sapotizeiro, a pitangueira, o jambeiro. E outras famosas pelo colorido de suas flores, como o flamboyant e a espatódea. Tem, também, aquelas curiosas – como a chichá –  cujos frutos fedem tanto, que espantam o público que ali costuma caminhar, fazer exercícios físicos e se divertir.

Abaixo, você confere curiosidades sobre várias espécies vegetais.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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