Que saudade do sol e do azul do mar

 Que saudade do sol e do azul do mar

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Para usar um jargão bem comum  – popular e populista – posso dizer que “nunca na história do Recife”, passei tanto tempo impedida de ir à praia, por excesso de chuva. O inverno vinha, mas sempre em dias alternados, o sol dava o ar da graça. Chovia no sábado, mas no domingo ele aparecia. E praia era programa certo: banho de mar, água de coco, cerveja para os que gostam, bate papo descontraído com os amigos.

Desde criança, frequento a praia de Boa Viagem, de inverno a verão. E bastam duas semanas sem pisar lá, para sonhar com o mar. Como já se vão dois meses sem conseguir sentar na areia, hoje aproveitei um solzinho e corri para lá. Peguei chuva no meio do caminho, entre Apipucos e a Avenida Recife, duas vezes. Enfrentei a buraqueira infeliz da BR-101, debaixo de chuva. Mas não reclamei.

Mar escuro e barrento em Boa Viagem, e cadeiras sem resistir ao vento.
Mar escuro e barrento em Boa Viagem, e cadeiras sem resistir ao vento. Cenas comuns na manhã de domingo nublado.

Havia muito vento, mas estava decidida a caminhar pela areia, pois a baixamar estava marcada para 9h35m. E minha tabela das marés nunca falhou. Então, em circunstâncias normais, daria para andar muito bem, na areia socadinha e úmida. Pelo menos uns seis quilômetros. Mas quem disse que pude nem ao menos andar? O mar não baixava. O vento era tanto, que as ondas vinham enormes. Os arrecifes nem apareciam. Pelos meus cáculos, já deveriam ter transformado o mar em piscina, naquele horário.

O mar demorou muito a recuar, mesmo com a maré baixa, e só no final da manhã foi possível caminhar na areia.
O mar demorou muito a recuar, mesmo com a maré baixa, e só no final da manhã foi possível caminhar na areia.

Ninguém se atrevia a entrar no mar. Por volta de 10h30m, havia seis pessoas. Três adultos e três crianças, estas tomando mais banho de areia, na arrebentação nos tornozelos. Ninguém conhecido apareceu. Os doze ou 20 ambulantes que aparecem a cada minuto no verão, ficaram escassos. Dois chineses se abrigam no guarda-sol colocado no chão e comem algo com pauzinhos.

E os ambulantes fixos, estes estão sofrendo. Meu barraqueiro, o Edmilson, diz que nunca viu inverno igual. “É tanta chuva e tanto vento, que o movimento caiu entre 80 e 90 por cento”, reclama, olhando a nuvem escura de novo se formando. “É melhor a senhora ir embora. A chuva já vem por ali”. Peguei a revista Algo mais, que tinha levado para ler, e saio correndo. Só deu tempo de chegar no carro. E banho de mar, nem pensar. Aquele azul lindo que a gente vê no verão virou azul caldo de cana fermentado. Dá não.

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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