Quem viveu os primeiros anos do Bloco Anárquico Armorial Siri na Lata, não tem como não se encher de nostalgia. O carnaval de Olinda já era muito divertido, mas ainda não consistia naquela multidão avassaladora, registrada nesse século 21 e que quase impede a gente até de andar. E a concentração da troça era ali, no bar popularmente chamado de Maconhão, bem pertinho do Fortim do Queijo, na parte baixa de Olinda.
Depois, subíamos e descíamos as ladeiras, em uma grande farra carnavalesca. Não havia prévia em clube fechado, e a festa era só mesmo na rua. Na verdade, era diversão, confraternização, reencontro dos amigos. O Siri era imperdível diversão na manhã do domingo de carnaval, que entrava pela tarde, pela noite e… recolhido o bloco, a gente ficava na rua até de madrugada. Frevando, atrás de outros blocos como “Eu acho é pouco”, troças, maracatus. O que passasse, nós íamos atrás.

Além de anárquico, irreverente e divertido, o Siri inaugurou no Recife as “fake news”. Como foi fundado e frequentado por jornalistas, todos os anos inventava-se uma “atração” para o seu desfile ou sua festa, e a “informação” era jogada no noticiário dos jornais. A atração tanto podia ser um político famoso, uma artista conhecida, um astro internacional, ou até mesmo uma polêmica cafetina de Brasília.
Os jornais noticiavam as falsas informações como se fossem verdades, e só no dia do desfile ou da festa, descobria-se que nada do anunciado era verdadeiro. Tanto foi assim, que quando as festas no Clube Português começaram a fazer sucesso estrondoso, com atrações reais, a pergunta era sempre a mesma sobre as atrações da noitada: “Será que ainda é mentira o que está sendo divulgado?”.
Infelizmente a última vez que vi o Siri nas ruas não foi em Olinda. Mas no Recife, em uma quinta-feira pré-carnavalesca, na concentração do Bloco “Escuta Levino”, hoje uma das melhores prévias do carnaval não oficial de rua do Recife. Estava com amigos dos antigos tempos do bloco anárquico, quando um grupo chegou com o estandarte e uma orquestra de frevo, na Rua da Imperatriz. Não havia uma só pessoa da turma original que o acompanhava no passado. Deve ser porque o Siri renovou-se, é frequentado agora pela meninada que nem sonhava nascer nos anos 1970.

O fato é que, nas ruas, ele encolheu. E muito. Mas as suas festas são movimentadas. Começaram no Clube Atlântico (em Olinda), depois foram para o Clube Português (Espinheiro) e passaram até pelo extinto Clube Líbano (no Pina). Seguindo tendência do Siri nos últimos 30 anos, quando recolheu-se aos recintos fechados com ingresso pago, o bloco vai comemorar o cinquentenário de sua fundação também com uma festa em local privado. Será no dia 6 de fevereiro, às 21h, no Mirante do Paço, no Bairro do Recife.
A festa terá as presenças de Almir Rouche, maestro Spok, Almério, além do Samba do Zé Pretinho. Os ingressos podem ser adquiridos pela plataforma Sympla, e a venda de mesas é feita pelo WhatsApp (81) 99556-2190 (Regina). Almir já participou de 23 edições das festas do Siri. Spok também já marcou presença por anos seguidos na festa, mas Almério vai debutar no baile do grupo, em 2026. O preço da senha individual é R$ 150, mais R$ 15 de administração. O espaço comporta 2 mil pessoas.
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Serviço
Siri na Lata – 50 Anos
Quando: 6 de fevereiro, às 21h
Onde: Mirante do Paço – Bairro do Recife ( fica no teto do edifício-garagem anexo ao Paço Alfândega e tem capacidade para até 2.500 pessoas, distribuídas em uma área de 4 mil metros quadrados)
Atrações: Almir Rouche, Maestro Spok, Almério, Samba do Zé Pretinho
Ingressos: Segundo lote – individual, R$ 150,00 (+ R$ 15,00 taxa), Venda pelo Sympla
Mesas: Informações com Regina: (81) 99556-2190
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação e redes sociais
