Praça do Diário vira “praça do diabo” com “desova” e carro queimado

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O Recife tem sim seus encantos. Mas também  tem desencantos. E talvez o maior deles esteja exatamente no centro da cidade que, a cada dia, se degrada mais. No último dia 30 de março estive com o Grupo Caminhadas Domingueiras, para um percurso de seis quilômetros, entre o Marco Zero e o bairro da Madalena.

Percebi que, a exemplo do que ocorre em ruas como Nova, Imperatriz e até Duque de Caxias – porta de entrada para o chamado e ainda movimentado comércio do vuco-vuco – são muitos os prédios totalmente desocupados também no Recife Antigo, com placas de “aluga-se” ou “vende-se”. Ainda bem que alguns órgãos públicos  – como a Secretaria da Mulher de Pernambuco e a Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife – estão se mudando para edifícios antigos e restaurando suas fachadas. Aliás já estão instalados bem pertinho do Marco Zero da cidade. A primeira já funciona em um belíssimo edifício na Rua do Bom Jesus, 9. A do Meio Ambiente do Recife agora está em um prédio no número 182, da Marquês de Olinda. Estamos caminhando pela Primeiro de Março, já em Santo Antônio, e encontramos esgoto estourado escorrendo junto ao meio fio. Que coisa feia… Andamos mais um pouco, chegamos à Praça da Independência, e nos defrontamos com uma cena desoladora (como mostram as fotos).

Além da pobreza e da sujeira permanente, encontramos árvores degoladas (sobre as quais falarei depois na série #paremdederrubarárvores) e um “esqueleto” de um carro, que teria sido incendiado por criminosos e abandonado na Praça da Independência. Ops… Pracinha do Diário… Ops… “Praça do Diabo”. Chego em casa e encontro um Zap de minha amiga Paula Loureiro, repassando uma postagem que circula nas redes sociais.  Os internautas começam a levantar a voz contra o processo de degradação pelo qual passa o antes charmoso centro da cidade.

Vejam postagem sobre a histórica Praça da Independência, também chamada de Praça do Diário:

“Foto tirada ontem (sábado) durante caminhada. Chegamos ao limite do abandono do Centro… a ponto da Praça da Independência servir de desova?! A polícia criminal (civil) estava no local, carro roubado e incendiado com vítima… E como disse um dos “moradores” da Praça do Diário, aqui tem outro nome,  é ‘Praça do Diabo’. Que horror, hein??? O tráfico acaba com todos os lugares, eu acho que é isso”.

É, mas não é só isso. Se os marginais escolheram a Praça do Diário para cometer um crime tão bárbaro, é porque sabem que o Centro do Recife está abandonado. Parecendo um cemitério, como mostra “Retratos Fantasmas”, o último e sugestivo filme do cineasta pernambucano Kleber Mendonça. Para os recifenses, o centro é, também, o retrato real da indiferença e do abandono. Nossa cidade, sinceramente, não merece ser tratada dessa forma. Cadê o Recentro? Cadê a “cidade lendária” de Capiba?

Os comentários estão nas redes. O carro queimado e em pedaços está na praça, cercado com aquelas fitas amarelas e pretas que isolam as cenas de crime. O #OxeRecife tentou informação oficial junto à Secretaria de Defesa Social, mas os três números tentados dispararam sem atendimento. Tão logo chegue alguma informação esse post será atualizado. 

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Redes sociais e Letícia Lins (#OxeRecife) 

3 comments

  1. Absurdo sem tamanho Letícia! Só uma correção, a foto acho que foi do domigo. Passamos por esse mesmo desmantelo! Cena horrível, parecendo um campo de guerra realemente.

  2. Que situação lamentável, Letícia.
    Está tudo “dominado”!
    Ou a sociedade reage ou em breve nada restará do centro da cidade.
    À propósito, por que pessoas que têm competência profissional e são experientes e ( influentes) na área de planejamento urbano, arquitetura e engenharia não se manifestam sobre a tragédia e barbárie do centro?
    Gostaria de um posicionamento de Francisco Cunha,que por ofício conhece tão bem a cidade e que a tem desbravada nas suas caminhadas domingueiras…
    Necessário e urgente que vozes diversas reajam à tamanha destruição sob a complacência imperdoável e irresponsável do poder público.

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