O gracioso Parque da Tamarineira vai praticamente dobrar de tamanho e ganhar mais uma entrada, dessa vez pela Avenida Norte. É o que informou hoje a Prefeitura do Recife, que investirá R$ 22 milhões na segunda etapa na área de lazer, a única verde daquele bairro tão tradicional. O Parque é atualmente uma ilha no meio da selva de concreto formada por espigões. A expansão corresponde a uma nova área de 40,4 mil metros quadrados,o que não é pouco. De acordo com o Prefeito João Campos, o hospital existente na área (o Helena Moura) não será afetado.
O edital de licitação foi anunciado nessa quinta-feira (21/8) e o Prefeito informou que pretende começar as obras ainda neste ano. “A maior parte dessa área é uma mata natural no coração da cidade, vamos ter um mínimo de intervenção possível para ter muito solo natural, para valorizar os elementos naturais do parque, para preservar”, disse João Campos. O Parque vai ganhar uma grande praça de acesso pela Avenida Norte, que contará com estrutura para pérgolas de madeira, quiosques de alimentação, bancos, estação para bicicletas compartilhadas, arborização e paisagismo, com prioridade para espécies nativas da Mata Atlântica.

A sociedade do Recife espera, realmente, que as árvores seculares da área sejam preservadas. Evitando-se assim, os costumeiros arboricídios que ocorrem na implantação de obras públicas, até mesmo de parques, como é comum ocorrer em nossa cidade. “Por estar quase toda dentro do Setor de Conservação Ambiental (SCA), área de proteção mais rigorosa, a segunda etapa do Parque terá 86% de solo natural e características muito mais naturalizadas do que a primeira”. Ainda bem. Pois vizinhos do parque relataram erradicação de várias árvores na primeira etapa, mas o #OxeRecife não as incluiu na série #paremdederrubarárvores porque não tinha fotografias nem localização exata das vítimas de arboricídio, devido aos tapumes que cercaram o terreno durante sua implantação. Informa a Prefeitura:
“Na nova etapa, os usuários contarão com equipamentos e brinquedos que estimulam o contato com a natureza. Além disso, serão plantadas cerca de 400 árvores e palmeiras, todas nativas. Pela lei, o SCA precisa ter no mínimo 80% de solo natural”.
Um dos grandes elementos estruturadores da segunda etapa será um passeio para pedestres e ciclistas, grande eixo que conectará as avenidas Rosa e Silva e Norte, permitindo a travessia por dentro do equipamento. O pórtico histórico será requalificado e funcionará como ponto inicial do percurso. Logo após o pórtico, haverá um playground com brinquedos de madeira, como a pirâmide de toras de madeira. Seguindo o passeio de pedestres, o visitante encontrará três grandes decks redondos de madeira com plataformas de diferentes alturas, que servirão para múltiplos usos, como encontros, descanso e piquenieques, prática já consagrada na primeira etapa do parque.
Na Matinha, haverá a maior concentração de usos e atividades do Parque, como pista de cooper naturalizada medindo 500m; decks de madeira com bancos, mesas e espreguiçadeiras; anfiteatro, playground com diversos tipos de brinquedos em madeira; mesas para picnic; e redários. A Matinha ganhará também, pela primeira vez no Recife, os “núcleos regenerativos”, espaços de plantio intensivo de espécies nativas que auxiliam na restauração ecológica e na biodiversidade. Atualmente, boa parte da Matinha é composta por espécies exóticas. O Canal do Jacaré, que passa por dentro do Parque, será totalmente requalificado. De acordo com o Prefeito, foram tomadas várias providências para evitar acúmulo de águas pluviais.

Nos links abaixo, mais informações sobre o bairro da Tamarineira e seu parque que, felizmente, não está incluído entre os quatro que foram “privatizados” no Recife (Jaqueira, Dona Lindu, Apipucos e Santana).
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Edson Holanda/Prefeitura do Recife e imagens 3d do projeto

Maravilha. Uma ótima notícia para quem é amante do verde. Espero que realmente a mstinha seja preservada de fato e de direito. Pois o parque da 17 de agosto, na antiga Casa de Saúde São José, firam derrubadas várias árvores centenárias e muito poucas firam plantadas.