Pouco antes do carnaval, vi nas redes sociais uma denúncia sobre a erradicação de uma árvore, na calçada do prédio da Associação Comercial de Pernambuco, que fica no Bairro do Recife. E que vem a ser uma das edificações mais charmosas da parte antiga da cidade. Depois, começaram a chegar pelo meu Zap fotos dando conta do sumiço da planta. “Isso é verdade? ”, perguntavam os leitores, sem esconder a indignação.
No Dia do Frevo (9/2) estive no centro da cidade – quando as ruas ainda estavam vazias – mas me empolguei tanto com os cortejos de agremiações carnavalescas, que esqueci de ir até ao local, para checar a denúncia. Depois, foi o carnaval e aquele mar de gente. Queria apenas registrar a presença do toquinho que costuma ficar na “cena do crime” de vítimas de arboricídio. Nessa quinta-feira, fui verificar in locco se a planta foi banida pela motosserra insana. Sim. Foi. Pois no local onde resistiam duas amendoeiras de um grupo de três (desde que me entendo de gente) agora só resta uma. Era a árvore que ficava na Avenida Rio Branco. Em 2019, a que estava em frente à Praça do Marco Zero já havia sido banida da paisagem.
Hoje, no entanto, a ACP estava ainda cercada de tapumes e não tive como checar o alegrete vazio. Guias turísticos que atuam no Marco Zero me informaram que “a árvore foi retirada dias antes da festa pela Prefeitura”. E foi. Agora é oficial, conforme nota enviada ao #OxeRecife pela Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife: “A Emlurb informa que uma equipe composta por engenheiros agrônomos realizou vistoria prévia e o laudo identificou que havia indicativos de comprometimento da sanidade do indivíduo arbóreo e consequente diminuição da sua estabilidade. Portanto, concluiu-se que o indivíduo arbóreo apresentava risco de queda”, diz a nota.

“Além disso, a Avenida Rio Branco é uma via de grande circulação e permanência de pessoas, principalmente durante o Carnaval, o que aumentou a necessidade de uma ação rápida para evitar acidentes”, completa a nota. Mas promete: ”Outra árvore será plantada no mesmo local após o Carnaval”. Será? Em outubro de 2019, no post Parem de derrubar árvores (203), o #OxeRecife denunciou a retirada de uma amendoeira que ficava na calçada frontal da ACP.
Na ocasião, também houve promessa de reposição, mas até hoje o “clarão” está lá, embora as fotografias oficiais em publicações turísticas sobre o Recife Antigo usem a foto clássica da ACP, com a bela árvore na frente do prédio. Que, no entanto, não existe mais. Sem elas, aquele pedaço da cidade perde seu glamour. Ou seja, eram três árvores que forneciam ar fresco, sombra e embelezavam a paisagem cada vez mais árida de nossa cidade. Agora, só resta uma. Deus sabe até quando.
Atenção: o número de baixas registradas na nossa série Parem de derrubar árvores, que virou uma campanha de caráter permanente em defesa do verde, já chega a 1.432 unidades que foram banidas da paisagem. Nos links abaixo, mais informações sobre as árvores da ACP e outras perdas nos bairros principais do centro da cidade.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

Letícia, no carnaval mergulhei em meus livros e discos. Melhor ouvir Charles Aznavour cantando Hier encore(Ainda ontem) com Poesia de Charles Aznavour e Música de Georges Garvarentz do que assistir a mediocridade dos artistas contratados milionariamente falando que as músicas do Mato Grosso do Sul representam a nossa ancestralidade pernambucana, é de muito, mediocridade ao quadrado.