As minhas caminhadas em grupo estão suspensas devido à pandemia. Mas quase todos os dias, ando pelo meu e outros bairro, individualmente. No último domingo, eu e o amigo Alexandre Trindade decidimos andar, para aproveitar a manhã de sol sem praia. Ambos com máscaras e guardando o distanciamento, inclusive nas paradas, para beber água.
Mas mesmo caminhando por perto de onde moro, sempre encontro novas árvores degoladas. Digo, vítimas de arboricídio, da motosserra insana. A da foto acima foi vista à Rua Anauro Dornelas Câmara, em um terreno que fica à margem do Açude de Apipucos, já vizinho ao bairro da Macaxeira. A outra, de corte mais recente, fica na Rua Nazaré de Minas, situada também em Apipucos, por trás do Açude. Nas duas áreas ainda resta algum verde. São resquícios da nossa Mata Atlântica, infelizmente quase toda destruída nos dois bairros.

E o corte – ou melhor, o arboricídio – tem sido uma realidade do Recife e uma das marcas da gestão passada. Vamos ver como a que se inicia vai se comportar nesse setor. As autoridades falam tanto em mudanças climáticas, em emergência climática, em preocupação com o aquecimento global. Mas não bastam medidas burocráticas ou para medir a emissão de carbono da cidade, como se tem feito. O que é preciso é neutralizar essas emissões. E como se faz isso?
Não só se estabelecendo metas de redução de emissão de carbono, mas também com muitas árvores, simples assim. Em uma área urbana, verticalizada e com selva de concreto cada vez maior, preservá-las é preciso. E também plantá-las, para conforto térmico da cidade. Mas essa preocupação – tal como o problema da falta de saneamento – não parece passar perto das prioridades de nossos gestores. Infelizmente! Desde 2017, o #OxeRecife vem computando as degolas da cidade. Já são 298 postagens, com 552 vítimas de arboricídio (todos os registros possuem foto, endereço e data). Não é pouco…. Mas é apenas uma amostragem do que ocorre. Porque o número real de degolas nos últimos oito anos… E a reposição nunca ocorre na velocidade com que se derruba. Puro descalabro!
Felizmente, a população começa a protestar. Na manhã dessa quinta-feira, recebo ligação de uma amiga, que ouviu o barulho de “panelaço” na rua. Não era um protesto político. Era um solitário grito de guerra contra o arboricídio: Uma dona de casa, batendo com a colher em uma panela, manifestando-se contra corte radical de árvores, em Casa Amarela. “Assassinos de árvores”, “Parem de cortar árvores”, gritava a mulher para uma equipe da Prefeitura que fazia poda. Por pouco, ela não gritou #ParemDeDerrubarÁrvores, Como nós, do #OxeRecife.
Nos links abaixo, você confere outras perdas no antes bucólico bairro de Apipucos.
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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife
