No último sábado, estive na Praça do Campo Santo, em Santo Amaro, para assistir ao evento Nos Pés do Baobá, promovido pelo Sesc, dentro do Mês da Consciência Negra. O objetivo do encontro foi promover o resgate da ancestralidade através do contato direto com a árvore sagrada, símbolo de resistência e existência para o povo Preto.
A cerimônia ocorreu aos pés do baobá plantado em 2006, já que a chamada árvore da vida que existia antes ali tombou. Isso porque suas raízes apodreceram, devido ao excesso de urina de populares que haviam transformado a árvore em mictório. A reposição valeu a pena, pois a muda ali plantada (ver post Trio expert em baobá, a árvore da vida) cresceu, e vai seguir seu rumo de se transformar em uma planta imensa. Monumental, como um baobá costuma ser.

Reposição, no entanto, não podemos dizer de uma outra vítima de arboricídio com a qual me defrontei logo ao chegar ao local. Ao lado de uma lama fétida que corria rente ao meio fio da Praça do Campo Santo, me deparei com mais uma cena provocada pela motosserra insana, como vocês podem observar na foto que abre o post. É impressionante como essa paisagem está ficando cada vez mais banal na nossa cidade. Uma tristeza! Além do toco degolado em “exposição”, nada foi plantado na mesma área para compensar a sua morte.
Aliás, a situação da Praça do Campo Santo é triste demais. E não é só pelo tronco degolado não. Ela é até bonita, arborizada e conta com um atrativo a mais, justamente o baobá. Ainda jovem, mas um baobá, árvore que é considerada o maior colosso vegetal do mundo. Então, esperemos que o filhote vire, também, um colosso como o da Praça da República e o do Jardim do Baobá, nas Graças. A situação da Praça do Campo Santo é deplorável. Somente. Como, aliás, acontece com a maioria das praças do Recife, estejam elas no centro, no centro expandido – que inclui Santo Amaro – ou ainda nos arrabaldes da cidade. Vejam, na foto como a Praça parece um areal, um quintal grande e abandonado. Para uma gestão pública que deixa as praças nessa situação, provavelmente uma árvore a mais ou a menos não faz mesmo diferença. Faz?
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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife
