Amigos da natureza e do patrimônio verde do Recife: fiquem de olho. Essa árvore pode estar marcada para morrer, sob acusação de ter cometido o crime de derrubar um muro. Ela fica na Avenida Dr Seixas, no limite entre o público e o privado. É que o muro em questão é o que separa da rua o terreno do Poço da Panela, onde deve ser construído o polêmico projeto do Atacado dos Presentes que, segundo os moradores não é compatível com as características do bucólico e histórico bairro da Zona Norte do Recife.
Passei lá hoje de manhã e observei que a árvore, realmente fica rente ao muro. Mas não é nenhum fícus, daquele que abala as estruturas de um edifício. Ela está na linha que tangencia a área de 12.152 metros quadrados que deverá receber o lojão que, por enquanto, provoca o maior rebu entre os moradores de bairros como Poço da Panela, Santana, Casa Forte. Todo mundo temendo o caos que o trânsito vai ficar, na Avenida Dezessete de Agosto e imediações. E também zelando pela arquitetura do Poço, que ainda preserva casarões dos séculos passados.
O lojão deverá ter 21.072 metros quadrados de área construída. E de acordo com o que disse o representante da empresa na reunião com os moradores, as árvores do terreno não serão suprimidas, “apenas algumas palmeiras”. Pois é bom ficar alerta. Como o muro é alto, ninguém sabe o que tinha lá dentro. A não ser, claro, um terreno vazio, depois da criminosa derrubada do secular prédio da Casa de Saúde São José (a demolição, no entanto, ocorreu antes do Atacado dos Presentes chegar ao terreno).
Aproveitando a brecha provocada pela árvore, dá para perceber que o que não falta no terreno é tronco que virou toquinho. Mais de dez. A degola já passou por lá. Só não se sabe se ocorreu nos tempos do Carrefour (que não conseguiu construir ali o mercado que pretendia) ou agora, sob responsabilidade dos novos empreendedores. #ParemDeDerrubarÁrvores. Na calçada do futuro Atacado dos Presentes, que fica para a Avenida Dezessete de Agosto, uma árvore já “dançou”. Ela foi guilhotinada (como mostramos aqui na postagem Parem de derrubar árvores 187, publicada no mês de junho. Passei lá hoje de manhã, e o tronco degolado nem teve a chance de tentar desabrochar de novo. Ele foi erradicado. Nada foi plantado no seu lugar. Será que ela ia atrapalhar a entrada do estacionamento?
Leia também:
Parem de derrubar árvores (53)
Parem de derrubar árvores (164)
Poço da Panela: livro, passado e música
Parem de derrubar árvores (183)
E o pedestre, como é que fica?
Parem de derrubar árvores (134)
Da árvore só restou o pó de serra
Moradores rejeitam lojão no Poço
O Poço da Panela resiste
Poço da Panela: plantio de árvores contra Atacado dos Presentes
História do Jardim Secreto para Crianças
Gentilezas urbanas do outro lado do rio
Primeiro transplante urbano é no Jardim Secreto
Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife
