Parem de derrubar árvores (19)

Falo tanto das árvores mutiladas e “assassinadas” do Recife, que hoje terminou sendo a vez de me defrontar com a motosserra insana. Recebi, na semana passada, um “informativo” assinado pelo Diretor Executivo de Praças Parques e Áreas Verdes, José Carlos Vidal, dando conta que nessa terça-feira seriam realizados trabalhos de “poda de manutenção preventiva para o inverno e arborização urbana”, na rua ao lado da minha casa.

Das duas  árvores marcadas para morrer, uma foi poupada e espera tratamento contra cupins para sobreviver.
Das duas árvores marcadas para morrer, uma foi poupada e espera tratamento contra cupins para sobreviver.

Tudo bem, a poda é necessária. Mas eis que quando chega o caminhão girafa da prestadora de serviços Engemaia, com a motosserra, recebo uma péssima notícia. “A ordem que a gente tem é para erradicar duas árvores”. Mas eu não pedi que a árvore fosse arrancada. Há dois anos, os moradores da localidade vinham solicitando tratamento contra cupins que começavam atacar duas árvores da rua. Mas nenhum dos nossos pedidos foi atendido. Terminei contratando uma empresa particular, que dedetizou as plantas. E elas estavam bem até o final do ano passado, quando os insetos voltaram a aparecer. Resultado: as duas árvores ficaram representando “perigo”, pelos critérios de alguns vizinhos e também da Prefeitura. Ou seja, as duas, ao invés de tratadas, teriam que ser sacrificadas.

As duas plantas são adultas. Ambos têm mais de 30 anos. Ligo para e Emlurb. A servidora responsável afirma que a avaliação do engenheiro “foi para tirar as duas, depois a gente compensa com outra planta”. Essas compensações, no entanto, eu nunca sei por onde andam. Não me dou por vencida, converso com os funcionários da terceirizada. O engenheiro da Emgemaia termina sensibilizado com o meu apelo, e a prestadora de serviço realiza só a poda da árvore que fica junto à minha casa. Mas a do outro lado da rua, essa foi derrubada mesmo. Sobrou um toco, desses que a gente vê, às centenas, pelas ruas do Recife. Agora é aguardar para a Emlurb dar um tratamento fitossanitária à sobrevivente. Ou então contratar, mais uma vez, uma empresa privada para dedetizar a planta. Sinceramente, não sei para que serve meu Iptu. Pensei que fosse também para prevenir e tratar das árvores. E não só para matá-las.

Texto e fotos: Letícia Lins

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