Semana passada, mais precisamente no dia 15 de fevereiro, postei aqui o drama da Avenida Beira Rio, na Torre, onde em um pequeno trecho há nada menos de dez árvores mortas, das quais sete foram vítimas de arboricídio. E três sofreram ataque de praga tão violenta, que doença chegou a ser confundida com envenenamento, o que configuraria crime ambiental. O Recife tem alguns mecanismos para evitar que isso aconteça, inclusive um aplicativo. E também possui um manual de arborização urbana muito interessante, indicando inclusive as espécies e locais onde devem ser plantadas.
Tudo isso, no entanto, parece não ter nenhuma utilidade para os próprios órgãos públicos, a julgar pelo descalabro que se observa nas ruas do Recife, quando o assunto é arborização, manutenção e poda de nossas. Poda, aqui, virou sinônimo de degola, guilhotina. Todas as pessoas sabem que os galhos das árvores são como nossos cabelos. Corta-se de vez em quando, para que nasçam mais firmes e mais resistentes. Porém o que acontece no Recife é que os cortes são tão radicais, mas tão radicais, que grande parte das plantas termina mesmo é morrendo. É como se fôssemos ao salão de beleza, e o cabeleireiro ao invés de aparar nossos cabelos, fizesse uma degola no pescoço. Com a poda das árvores do Recife é mais ou menos o que está acontecendo. É só conferir nas fotos dessa postagem.

Em minhas caminhadas matinais me deparei com um exemplo muito claro desse exagero, na Rua Luiz Guimarães, no Poço da Panela A árvore ainda não virou um tamborete, como os milhares que a gente vê em ruas, praças e jardins do Recife, com cortes que deixam os troncos com menos de um metro de altura. Ou um pouco mais. No caso dessa do Poço, na Zona Norte, os galhos, as folhas, foram todos eliminados. O que sobrou: um tronco alto (com altura um pouco maior do que uma casa térrea). E só. Mesmo com as últimas chuvas registradas no Recife, a pobre da árvore não dá sinal de que vai desabrochar um dia.
Encontrei outro exemplo, com o mesmo problema, no último domingo, quando participei da Caminhada do Frevo, quando fiz percurso a pé, entre o Parque da Jaqueira e Olinda, com o Grupo MeninXs na Rua. A árvore, localizada na calçada da Loja Disnove, à Rua Costa Pinto, sofreu um corte tão radical, que não sobrou nem sombra de sua copa. Felizmente, ao contrário da do Poço da Panela, ela está tentando sobreviver. Há galhinhos e folhinhas brotando. Semana passada, leitores do #OxeRecife postaram a indignação com essa situação nas redes sociais do Blog. É preciso “denunciar aos berros do entorno, fazendo zoada grande”, sugere Francisco Ilo.sobre a situação na Torre. “Tem que ser tomada uma atitude”, afirma Rosana Melo. “Estão matando meu Recife”, lamenta Márcia Burgos, em mensagem enviada dos Estados Unidos. “Horrorizada”, resume Érika Porciúncula.
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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife
