Os misteriosos tabaqueiros do Sertão

 Os misteriosos tabaqueiros do Sertão

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O carnaval sempre revela manifestações culturais que, muitas vezes, o morador do Recife desconhece, como os caretas e os tabaqueiros.  Os primeiros são característicos de Triunfo. Os segundos, de Afogados de Ingazeira. As duas cidades ficam no Sertão do Pajeú. Neste ano, resolvi observar  os tabaqueiros que se apresentaram no Museu Cais do Sertão, durante o encerramento do Festival Bora Pernambucar. Era a primeira vez que vinham ao Recife. E eu nunca os vira antes, pessoalmente. Na sexta-feira, eles abriram o carnaval em Afogados de Ingazeira, a 386 quilômetros do Recife.

Como eu, muita gente os viu ao vivo pela primeira vez. Não era incomum, portanto, ouvir pergunta do tipo “O que é isso?”,  quando surgiram aqueles homens mascarados, com um cinturão de chocalhos amarrados na cintura e batendo o relho (espécie de chicote) no chão, em meio a um barulho infernal. No começo, chegaram a ser confundidos com papangus. Mas não eram os fantasiados mascarados tão famosos do município de Bezerros, que fica no Região Agreste. E que, no domingo de carnaval, atraem milhares de pessoas ao município, localizado a 107 quilômetros do Recife.

Os tabaqueiros usam grande quantidade de chocalhos na cintura, o que rende muito barulho.

Os tabaqueiros  vieram de mais longe, do Sertão. E são bem diferentes dos papangus, que não usam relhos nem chocalhos. Mas como papangus, também usam máscaras. Eles surgiram no século passado em Afogados de Ingazeira, a 386 quilômetros do Recife. Embora usem máscaras como os papangus, muito se diferenciam dos famosos personagens do carnaval do Agreste. Na fantasia, há um recipiente feito com chifre de boi, no qual botam rapé (fumo moído), que oferecem às pessoas durante os dias de carnaval. Viraram os tabaqueiros. No interior, principalmente no passado, havia costume de se cheirar fumo em pó. E tinha gente que cheirava só para espirrar.

Na sexta, os tabaqueiros ganharam as ruas do município de Afogados de Ingazeira, localizado a 386 quilômetros do Recife.

Em 2020, eles vieram pela primeira vez ao Recife. E chamaram atenção pelas máscaras. originalmente confeccionadas em papel machê mas que, como no caso dos papangus, começam a ser substituídas por outras, industrializadas. O que não significa que estas sejam menos terríveis (foto maior).  Os tabaqueiros usam luvas – para que ninguém os conheça nem pelas mãos – e fazem um barulho infernal porque carregam dezenas chocalhos na cintura. Segundo um deles, há quem use 130 em cada apresentação. Se os caboclos de lança do maracatu rural já fazem muito barulho com alguns chocalhos amarrados nas fantasias, imaginem um só tabaqueiro com mais de cem… E ainda tem o relho, para “zoar” no chão. Na verdade, os tabaqueiros parecem ser uma mistura de três manifestações: papangus (porque usam máscaras), caboclo de lança (devido aos chocalhos) e caretas (por conta do chicote). Será?

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto do Grupo na frente da Igreja Matriz: Prefeitura de Afogados de Ingazeira/ Divulgação

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