Olhem só quem estava passeando….

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Pode? Se tem um bairro com pouco verde e com muito mais concreto e asfalto do que árvores é o dos Aflitos. Pois olhem só quem estava passeando por lá… Uma cobra corre-campo (Philodryas nattereri), que provavelmente fugiu de um cativeiro ilegal. Pois a espécie é natural da caatinga, bioma comum ao Agreste e ao Sertão.  E que, portanto, não deveria estar “transitando” pelo Recife.

Para o estudante de Biologia Rodrigo José Lyra Leite, a presença da cobra em pleno asfalto, em área totalmente urbanizada, é um “fato inusitado”. Por sorte, ele foi avisado do incidente, esteve no local e resgatou o animal. Rodrigo reside em Paudalho -município incluído na APA Aldeia Beberibe – e costuma resgatar animais perdidos ou que estejam em cativeiro ilegal.

Se o animal pertence ao bioma caatinga, é fácil entender porque a cobra estava “passeando” na Rosa e Silva. “É muito provável que alguém estivesse criando a cobra ilegalmente”, diz. Mansa, a cobra deu, segundo ele, a impressão de ser “bem doméstica”.  Contou que nunca havia encontrado a espécie em nenhuma cidade de região  de Mata Atlântica, como é o caso do Recife.

Rodrigo atua como voluntário no resgate de animais silvestres, e já recolheu cerca de 300 em apenas dois anos, dando-lhes destino adequado.

E alerta: “Não se deve manter animal silvestre em cativeiro. Para se ter um animal como cobra em ambiente doméstico, é preciso que o tutor procure um criatório legalizado”. Quanto à corre-campo, ele informa ser de uma espécie que não se pode ter em casa, em hipótese alguma. “Pois a picada embora não seja fatal, resulta em complicações”.

Rodrigo encaminhou a cobra para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas Tangara), órgão da Agência Estadual de Meio Ambiente, legalmente responsável pelo acolhimento de animais silvestres, que cuida deles com ciência e que os prepara para o retorno à natureza. Depois,  faz a reintrodução. Rodrigo lamentou que a Prefeitura do Recife não tenha uma guarda efetiva, especializado em resgate de bichos  silvestres na cidade. “Ligaram para a PM, para os bombeiros, para o Cipoma, mas ninguém veio resgatar”.

Rodrigo é estudante de Biologia na Universidade Federal Rural de Pernambuco e foi chamado para fazer o resgate, o que é comum na vida dele. O universitário integra o Projeto Surucucu Pico de Jaca, sobre o qual falaremos em uma outra postagem.  Rodrigo mora no município de Paudalho, que fica na APA Aldeia Beberibe. Ele atua como voluntário no resgate de animais. Em apenas dois anos, já recolheu mais de 300 animais, entre timbus, serpentes, preguiças e outras espécies. “Recolho em jardins, ruas, asfalto e devolvo ao habitat”, diz. “Se o animal for exótico, serpente ou estiver ferido, envio para o Cetas”.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação

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