Ele é um velho conhecido das pessoas que, como eu e mais um montão de gente, têm o hábito de caminhar pelas ruas do Recife. Só que os grupos preferidos são aqueles que passam no Centro – Marco Zero, Praça da República, Praça de São Pedro entre outros locais – área onde ela percorre durante todo o dia, empurrando a sua carrocinha de sorvete. José Claudino Gomes, 60, trabalha muito para dar sustento aos dez filhos. Labuta durante toda a semana, inclusive os domingos e feriados. Só folga na quarta, dia que considera de menor movimento.
Sai de casa por volta das cinco da manhã, para pegar a carrocinha carregada, no bairro dos Coelhos. De lá, anda até o Centro e fica por ali. Volta depois das 17h. Nunca calculou quantos quilômetros faz a pé por dia. E segue o pique do pessoal que caminha. Na última edição das Caminhadas Domingueiras, seguiu com o grupo de mais de 120 pessoas até o fim da jornada, passando pelos Bairros do Recife, Santo Antônio, São José. No último domingo, plantou-se em frente ao Palácio do Campo das Princesas, onde se encontrou com a turma dos MeninXs na Rua.
“Conheço todo mundo que caminha, e onde estiver o pessoal do Professor, eu fico”, comenta, referindo-se a Francisco Cunha, urbanista, arquiteto e coordenador das Caminhadas Domingueiras. “Um dia ele fez uma caminhada pelo centro e, depois, ainda ia para o Parque da Jaqueira. Tentei acompanhar, mas nesse dia, terminei desistindo no meio do caminho”, comenta. Sempre solícito, Claudino é sorveteiro há duas décadas, mas lamenta que hoje as empresas não tenham mais vínculos empregatícios com os vendedores.
“Trabalhei com carteira assinada na Nestlé e na Kibon, mas agora é cada um por si”, informa. Reclama, também, das restrições impostas pela Prefeitura, durante as grandes festas populares, pois não consegue ter acesso a locais como o Marco Zero. “Até mesmo nos domingos comuns, fica difícil ficar por lá”. Ele está fazendo fé no verão que se aproxima para aumentar as vendas, e já sabe a quem vender. “Sem risco de chuva, aparece muitas gente nas caminhadas e o calor pede mais sorvete. Também “refresca” os caminhantes com água mineral, a R$ 2 a unidade.
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Texto e foto: Letícia Lins/ #OxeRecife
