O ameaçado pintassilgo-do-nordeste

No bairro onde resido, Apipucos, felizmente ainda é grande a quantidade de pássaros, que hoje integram a chamada fauna urbana, da qual fazem parte outros animais como saguis, timbus, morcegos, e até mesmo capivaras.  No amanhecer e aos finais da tarde, a sinfonia do canto das é grande, um deleite. É comum ouvir-se o canto da sabiá – branca, da terra, da mata – do bem-te-vi, dos canários, dos sibitos, dos galos-de-campina. Alguns são muito conhecidos e comuns na área. Outros, só fazem dar o ar da graça, de vez em quando, como é o caso do beija-flor  tesoura.

Porém há um pássaro que era muito pouco observado nos sítios e quintais do bairro, mas que durante a pandemia se tornaram mais frequentes. Não consegui fotografá-lo, e também não sabia a espécie. Descobri via Agência Estadual do Meio Ambiente tratar-se do pintassilgo-do-nordeste (Spinus yarellii). O pássaro é endêmico da região nordestina.  Mas, infelizmente está quase sumido na natureza, principalmente devido às perdas de biomas que formam o habitat da espécie (Mata Atlântica e Caatinga). De acordo com o gerente da unidade de Gestão da Fauna Silvestre da Agência Estadual de Meio Ambiente (Cprh), Iran Vasconcelos, o também chamado pitassilva-do-nordeste vive nas bordas das matas e era facilmente encontrado até mesmo na Caatinga.

“Mas  atualmente  são pouco vistos no habitat natural, em ambos os biomas, sendo dificilmente encontrado na Caatinga”. A Mata Atlântica é um dos biomas mais ameaçados do mundo, e vem cedendo lugar à especulação imobiliária em grande parte do Brasil, incluindo Pernambuco. Já a Caatinga, característica do Semi-Árido, é um bioma único no mundo, exclusivo do Nordeste brasileiro. O pássaro mede um pouco mais de dez centímetros, tem penas amarelas e possui um belo canto.

Mas gosta de imitar o canto de outras aves, motivo pelo qual é muito visado pelo tráfico de animais silvestres.  Também conhecido como pintassilva (pinta-silva), pintassilvo-baiano e pintassilvo,  a ave também recebe o nome de coroinha, por conta das penas pretas que  os machos da espécie possuem na cabeça. Com esse “boné preto”, o pitassilva-do-nordeste se distingue do pitassilgo comum. Esse da foto, cedida pela Cprh, está sendo preparado no Cetas Tangara para voltar à natureza.

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Texto:  Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Cprh / Divulgação

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