Novo PAC: E o saneamento básico, onde é que fica? Números de Pernambuco ainda são vergonhosos

 Novo PAC: E o saneamento básico, onde é que fica? Números de Pernambuco ainda são vergonhosos

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O lançamento do Novo PAC no Recife – que aconteceu com pompas e estardalhaço na segunda-feira – chama a atenção pela generosidade das verbas. No País, serão liberados recursos na ordem de R$ 1,7 trilhão. Destes, R$ 51 bilhões serão destinados a Pernambuco, sendo R$ 10 bilhões exclusivos para o estado, e a parte restante chegará ao nosso território, porém na forma de investimentos regionais.  Um fato chama, no entanto, a atenção do #OxeRecife: Tanto o Governo de Pernambuco quanto a Prefeitura do Recife divulgaram notas sobre as obras que serão beneficiadas nesse primeiro momento. E pelo que se observa, infelizmente, o saneamento básico, tão necessário à população e à preservação de nossos rios parece, mais uma vez, ter sido esquecido pelas nossas autoridades.

 A cerimônia oficial coincide com um relatório divulgado pelo Tribunal de Contas de Pernambuco, que mostra uma realidade muito triste: somente 30, 8 por cento dos moradores do nosso estado dispõem de serviços de coleta de esgoto. No Recife, a situação melhorou um pouco em relação ao último levantamento, porém ainda ostenta números incompatíveis com o século 21. É que só 44, 99 por cento dos seus moradores contam com aquele tipo de serviço. Bom lembrar que, no início do século passado, a capital pernambucana se orgulhava de ser cem por cento saneada. Os serviços de abastecimento, pelo que se observa, também estão aquém do esperado. Em Pernambuco, 83,56 por cento da população tem acesso à água, enquanto no Recife esse número  é de 96,43 por cento. Porém, como todos sabem, há bairros que contam com serviço de água encanada, mas passam até semanas com as torneiras secas. Em Pernambuco, os números de água e esgoto estão abaixo das médias nacionais, que são 84 por cento para a água, e 44,99 por cento para o esgoto.

Nos releases divulgados pelo Governo do Estado e pela Prefeitura, quanto à aplicação da primeira leva de recursos, não aparece saneamento. “Entre as principais obras que serão atendidas  pelo conjunto de investimento estão: Ferrovia Transnordestina, duplicação da BR 423 de São Caetano até Lajedo (na Região Agreste);  duplicação da BR 104 (incluindo o contorno de Toritama, que fica no Polo de Confecções do Agreste); Adutoras do Pajeú edo Agreste; Barragens de Gatos e Panela II; conclusão da Refinaria Abreu e Lima (em Suape, Ipojuca); construção de moradias do Minha Casa Minha Vida”, informa o Palácio do Campo das Princesas. Já a Prefeitura informa as prioridades dessa primeira liberação de recursos, que  irão “beneficiar 27 obras e serviços”.

Entre elas: “construção de 952 unidades habitacionais; obras de urbanização em áreas de vulnerabilidade social, como o Pilar (que fica no Recife Antigo); a requalificação do Mercado de São José; e restauração do Patrimônio Histórico, a exemplo da cobertura da Igreja de São José do Ribamar e restauração das Igrejas de Santo Antônio e do Carmo”. E acrescenta a Prefeitura: “Além disso, o programa também vai viabilizar obras de creches e escolas e de contenção de encostas, reforçando os grandes investimentos que a Prefeitura vem fazendo nessas áreas”. No final, a Prefeitura diz, de forma muito vaga, que o Novo PAC “também vai garantir melhorias na rede de esgotamento sanitário e abastecimento d´água”. Vamos ver, não é? Segundo o governo federal, em breve serão lançados editais que somam R$136 bilhões para a seleção de projetos que incluem abastecimento d´água e esgotamento sanitário. Ah…sim. O Estado e a cidade pagam um preço muito alto pela omissão das autoridades, quanto o saneamento. Basta olhar para os nossos cursos d´água – como o Rio Capibaribe em toda a sua extensão – seus afluentes, canais (que um dia foram riachos), lagoas, para se saber a extensão do problema. Também é fácil vermos o esgoto a céu aberto escorrendo pelas ruas, principalmente em bairros populares como os que ficam nos altos e alagados. Ou estourados, como em bairros mais sofisticados, como Espinheiro (foto abaixo) e Casa Forte.

Mesmo em bairros sofisticados, como o Espinheiro, é comum observar-se águas de esgoto doméstico escorrendo pela rua

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação / TCE e Acervo #OxeRecife

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1 Comments

  • O sistema esgoto sanitário no Recife é uma vergonha, como você bem disse, no início do século XX, tínhamos 100% saneado, era só manter, ampliando com o avanço da população. O X da questão é, esgoto não tem placa, nome, não dá voto. Parabéns Letícia pela matéria

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