Mulheres circenses e a vida do picadeiro

 Mulheres circenses e a vida do picadeiro

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Circo, por mais simples que seja, é sempre uma diversão.  Às vezes, é meio triste observar aqueles do tipo mambembe, que a gente encontra pelo interior, muitas vezes com a lona furada, mas nem por isso sem magia. Circo é circo. E pronto. Há muitos anos, encontrei uma lona armada no meio de uma praça, no Sertão do Araripe. Era um entra e sai danado, durante o dia. E eu achei estranho  um “circo” assim tão movimentado. Fui ver o que era. É que tinha um cineminha rápido, a preço de banana, que atraía os feirantes de manhã. De tarde e de noite era espetáculo para quem quisesse e pudesse pagar.

Tenho, também, um conhecido que, quando pequeno, foi “cantar circo” , acompanhando o desfile de um circo em uma cidade do interior. Os meninos que seguissem o palhaço no desfile anunciado a chegada do circo, ganhavam ingressos grátis. Claro que ele foi. Não só ele mas todos os garotos da rua. Quando o pai soube, lhe aplicou um castigo, pois achou que o filhão fez papel de otário e moleque. O que o pai não deve ter entendido é que o circo, seja qual for, mora na fantasia das crianças. E também de adultos. Porém, não é fácil manter um circo. Nesses tempos de pandemia, eles enfrentaram uma pior. Felizmente, agora os artistas estão retornando aos picadeiros.

E é difícil a vida de quem vive do circo. Mas não deixa de ser uma aventura. Rotinas que vivem de mudanças a cada quinze dias, de  ter um trailer como residência. De nascer, crescer, parir no circo Cuidar de filhos, netos e estar no centro do picadeiro, e também gerenciando tudo. Nada é só fantasia.  Ao contrário, é uma realidade muito dura, mas sempre vivida por quem gosta do que faz. “Quem nasce no circo não tem casa, não tira férias, trabalha 365 dias, mas por amor”, diz Tita Alves, que comanda o Circo Alves. Ela é uma das convidadas do  webprograma “Mulheres circenses no centro do picadeiro”,  que vai ao ar no Youtube da Secretaria de Cultura de Pernambuco às 19h dessa quarta-feira (13/10).

Além de Tita, foi convidada Fátima Pontes, Coordenadora da Escola Pernambucana de Circo. O encontro será mediado por Jorge Clésio, assessor de Artes Circenses da secretaria. O webprograma  é  uma produção do Núcleo Digital da Secult-PE (leia-se Andréa Mota). O universo do circo, com toda alegria, ludicidade e diversão, não é diferente da sociedade na qual está inserido. Lidar com machismo e misoginia faz parte da vida das mulheres circenses. “Somos artistas, com valores diferentes, mas tem muito preconceito. A moça do circo era mais zelada, não podia sair, ter amigos, conversar com rapazes”, diz Tita. Para Fátima, que é produtora cultural e conselheira titular de circo no Conselho Estadual de Política Cultural de Pernambuco, a luta das mulheres do circo não é diferente da luta de todas as mulheres. “A gente tem que estar o tempo todo atenta e isso é muito desgastante. É muito complicado porque é um desgaste físico, emocional, mas estamos na luta. Acho que a situação da mulher no circo tem mudado um pouco nessa nova realidade que a gente vem tentando ser mais empoderada mesmo.”

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Texto:  Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Acervo #OxeRecife e Divulgação

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