Mudanças climáticas: o Recife possui 28 bairros vulneráveis ao movimento das marés. E agora?

 Mudanças climáticas: o Recife possui 28 bairros vulneráveis ao movimento das marés. E agora?

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Poucos dias após a Prefeitura do Recife ter anunciado parceria com a Holanda, para desenvolver soluções de melhor convivência com as águas  (de olho nas consequências do aquecimento global para a capital pernambucana), uma notícia preocupante. Dessa vez, do mundo acadêmico. É que a cidade já possui doze bairros vulneráveis a inundações agravadas pelas marés, porém o número total chega a 28, quando se desenvolve modelos matemáticos para simular a situação, diante das mudanças climáticas e o consequente aumento do nível dos oceanos. Não é difícil entender que o Recife, pelo visto, já vivencia com intensidade os problemas teoricamente previstos para o futuro. No final dessa postagem, você pode conferir quais são as localidades com maior de risco. No último dia 7, o #OxeRecife publicou uma reportagem com foto que simula como a cidade pode submergir daqui a alguns anos, se nada for feito.

E essa quinta-feira foi uma prova da nossa vulnerabilidade à ação das águas. Em uma hora de chuva, a cidade ficou com um montão de pontos de alagamento, em avenidas, ruas, praças, viadutos interditados. Com a maré alta prevista para o início da noite, claro, a situação se agrava. De acordo com mapeamento hidrológico realizado recentemente, há bairros que já são vulneráveis atualmente a alagamentos, tais como Afogados (o nome já está dizendo…), Boa Viagem, IPSEP e Santo Amaro. Porém há outros que começam a entrar na lista, como Pina, Recife Antigo, Santo Antônio, Campo Grande, Madalena, Cabanga, Ilha do Retiro. Um bairro bastante comprometido é a Ilha do Leite, para a qual se prevê quase a totalidade de ruas inundadas pelo fenômeno da maré alta. Com a chuva e o aumento do nível do mar devido ao aquecimento global… já dá para se pensar o que pode acontecer.

A dura realidade do Recife (uma das 16 cidades mais vulneráveis do mundo às mudanças climáticas ) é apontada em estudo realizado por dois engenheiros pernambucanos, Alexson Caetano e Gastão Cerquinha, que desenvolveram metodologia Modelo de Gestão em Zonas Protetivas (Protege), que permite monitorar regiões mais problemáticas, assim como propor soluções que ajudem a reduzir o impacto das marés em áreas costeiras. O Protege foi aperfeiçoado em Boston (EUA), para onde os dois viajaram por meio de bolsa-auxílio para execução do projeto. A inicativa é do Tiradentes Institute, do Grupo Tiradentes, via Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE).

“Diversas áreas na cidade de Recife estão sujeitas a inundações provocadas pela maré, mesmo em dias sem chuva. Para o Carnaval, por exemplo, estão previstos picos de maré que chegarão a 2,70 metros e, caso ocorram chuvas simultâneas, a cidade passará por diversos transtornos”, adianta Gastão Cerquinha, um dos idealizadores do projeto. No projeto, Alexson e Gastão incluíram boas práticas difundidas internacionalmente e baseadas na natureza, com a utilização de materiais como pedra, areia e vegetação nativa. “São iniciativas que podem ajudar no impacto da maré e ainda permitem o desenvolvimento da flora e fauna, sem impermeabilizar o solo, favorecendo, assim, também o microclima urbano”, aponta Gastão.

Segundo ele, nem sempre uma área mais próxima ao litoral terá maior influência e impactos da maré. E em cada local da cidade pode haver um reflexo diferente e necessitar de uma solução específica. A definição da medida a ser adotada pela gestão pública vai depender de uma série de variáveis. Um relatório final do Protege será entregue pela Unit-PE ao prefeito do Recife, João Campos, cidade que já vive em situação de emergência climática e cujas galerias pluviais já transbordam em vários pontos da cidade, a cada maré alta. A ideia é inspirar a gestão municipal em relação a cuidados com aos impactos das marés na cidade. No material, constam as etapas de desenvolvimento, métodos aplicados, simulações e soluções adotadas. A metodologia também pode ser aplicada em bairros como Setúbal, Afogados e Ipsep, os quais passaram grandes transtornos na última segunda-feira e nessa quinta, devido às chuvas. Hoje, no Ipsep, era grande o número de ruas intransitáveis, devido aos alagamentos.

O #OxeRecife solicitou a relação dos 28 bairros em risco. São eles: Boa Viagem, Imbiribeira, Afogados, Ipsep, Recife, Pina, São José, Jiquiá, Santo Amaro, Boa Vista, Santo Antônio, Ilha do Leite, Campo Grande, Cabanga, Madalena, Ilha do Retiro, Coelhos, Derby, Prado, Paissandu, Espinheiro, Areias, Graças, Torreão, Estância, Hipódromo, Mangueira, Encruzilhada. Destes, doze já enfrentam problemas graves hoje: Afogados, Ipsep, Boa Viagem, Santo Amaro, Ilha do Leite, Boa Vista, Graças, Imbiribeira, São José, Derby, Espinheiro, Coelhos

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Protege / Divulgação

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