O arboricídio está mesmo incomodando os recifenses. Até quem já não reside mais na cidade, reclama da matança de nossas árvores. Morador por dois anos de Setúbal – bairro vizinho a Boa Viagem – o leitor Eduardo Pinheiro envia desabafo ao #OxeRecife, dizendo que ação da motosserra no Recife virou “um show de horrores”, o que aliás, é também o que a população está achando.
Ele, como eu, como você, vivia inconformado com o barulho constante da motosserra insana e com a mutilação das árvores da Zona Sul, onde já está cientificamente comprovado que existem zonas de calor, devido à selva de concreto que toma ali todos os espaços. Vejam o que ele diz do período em que lá morava. “Não eram poucas as manhãs que eu acordava ao som das motosserras”, lembra. “Era um show de horrores, mesmo sem nenhuma interferência na rede elétrica ou nas calçadas”, porque árvores sadias eram deixadas só no talo”, reclama.

E conta que telefonou várias vezes para a Emlurb, a fim de reclamar contra a destruição do nosso patrimônio verde. Informa que em duas ocasiões, a autarquia enviou um engenheiro “para inspecionar o que estava sendo feito”. Revela que ouviu, muitas vezes, o engenheiro “aos berros, mandando parar o serviço, que obviamente estava sendo mal feito”. Assim, conseguia evitar a tragédia. “Uma ou outra árvore se salvava, mas algumas quadras à frente, a matança era certa”.
E desabafa: “Inaceitável que em uma cidade tão quente, repleta de prédios enormes e asfalto por todo lado, não haja política clara e eficiente de preservação e expansão de áreas verdes”. Bravo Eduardo! É isso aí. Sei que não estou sozinha nessa luta. Essa árvore da foto, na Rua da Alliança, foi “assassinada” simplesmente porque tinha cupins, como se essa praga não tivesse tratamento. A empresa que fez a mutilação, a serviço da Emlurb, prometeu voltar uma semana depois, para retirar o toco, para que se plantasse outra em seu lugar. Mas não veio. A natureza, no entanto, está emprestando a ela um pouco do verde que existe no chão ao seu redor. #ParemDeDerrubarÁrvores
Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife
