Oxente, deixar de visitar Mestre Miro dos Bonecos na Fenearte? Nem pensar. É um dos estantes que merece uma visita obrigatória. Natural de Carpina, Pernambuco, Ermírio José da Silva começou a trabalhar na infância, ajudando o pai no roçado. Mas seu destino mudou, no dia em que assistiu a uma apresentação dos bonecos do Mestre Solon (1921-1978), na principal praça da cidade, localizada a 56 quilômetros do Recife.
Prometeu a si mesmo que ia fazer bonecos tão interessantes e articulados como os que vira. O pai, lavrador, não lhe deu muito crédito. Mas ele foi em frente. E confeccionou o primeiro em um cabo de vassoura, improvisou pernas e braços com pedaços de borracha e usou uma meia de um irmão para fazer a roupa. Depois, passou a usar o mulungu, madeira mais adequada para o trabalho. As roupas não eram mais de meias velhas, mas de chita (foto). E a borracha não é mais usada nos bonecos, mas é usada para dar maior mobilidade a brinquedos como canários e galos de briga.
Para sobreviver, Miro já fez de tudo um pouco. Além de trabalhar no roçado, atuou como mecânico, zelador, vigia. Hoje, artista consagrado e premiado, elevado à categoria de mestre na sua arte popular, ele está na Fenearte, que ocorre no Centro de Convenções até domingo. Vale a pena visitá-lo, nem que seja para assistir à “apresentação” de um grupo de “músicos” com um boi. Basta apenas que se coloque na caixa uma moeda. De qualquer valor. No mais, é comprar um brinquedo para decorar a casa, dar de presente a filhos e netos, ou mesmo para se distrair. Há alguns bem divertidos, como o mané-gostoso e o homem de vara (que some em um copo).
Confira o vídeo com os bonecos articulados do artista:
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Texto, foto e vídeo: Letícia Lins / #OxeRecife
