A pessoa trabalha o tempo todo e vê no final de semana o momento de relaxar. Tem quem vá à praia, ao cinema, ao teatro, à balada. E há aqueles que preferem encontrar os amigos, saborear uma bebida alcoólica. E que, infelizmente, terminam assinando a própria sentença de morte. Filme de terror? Não, não . É que os casos de intoxicação, cegueira e até óbitos por consumo de bebidas alcoólicas contaminadas por etanol começam a preocupar no Brasil. Depois das ocorrências no estado de São Paulo – onde cinco pessoas morreram, quinze estão sob investigação e quatro bares foram interditados – em Pernambuco casos suspeitos do mesmo problema mobilizam a Secretaria Estadual de Saúde a a polícia civil.
Tanto que a Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) recebeu notificações de possíveis casos de intoxicação por metanol em três homens, dois residentes no município de Lajedo e um de João Alfredo, ambos no Agreste do Estado. Os pacientes foram atendidos no Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru. Dois deles foram a óbito. O terceiro recebeu alta hospitalar, com perda de visão bilateral como sequela. Relatos de parentes de algumas das vítimas informaram que as bebidas foram compradas em um caminhão que abastece bares da região. A aquisição teria acontecido em Belo Jardim, município a 185 quilômetros do Recife, e a 45 quilômetros de Lajedo, onde as vítimas teriam consumido a bebida contaminada, em um show de rock.

Assim que recebeu as notificações, a Apevisa iniciou a preparação de ações de fiscalização em distribuidoras de bebidas alcoólicas. A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) vai emitir orientações tanto para a população como para as vigilâncias sanitárias municipais. O objetivo principal é a intensificação das vistorias para evitar possíveis fraudes nos estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas. Os sintomas iniciais de intoxicação podem ser confundidos com os da ingestão de álcool comum — como náuseas, vômitos, dor abdominal e sonolência. Porém, entre 6h e 24h após o consumo, podem surgir sinais mais graves, como visão turva, fotofobia, cegueira, convulsões e até coma.
A Apevisa recomenda que os serviços de saúde notifiquem imediatamente todos os casos suspeitos ao Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e ao Cievs/PE. Também orienta a busca ativa de pessoas que possam ter consumido bebidas da mesma origem, além da capacitação das equipes de saúde para o manejo clínico adequado, incluindo uso de antídotos específicos e hemodiálise nos casos graves.
Diante das evidências de contaminação de bebidas por Etanol, a Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária reforça a importância de observar sinais que podem indicar adulteração. O primeiro é verificar se a bebida possui o registro (treze dígitos) no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que é obrigatório em todas as bebidas alcoólicas. Checar, também, o rótulo completo, lacre adequado, além de comprar apenas em locais confiáveis. Também é essencial redobrar a atenção com drinques prontos e evitar produtos sem procedência ou com preços muito abaixo do mercado, segundo a Diretora da Apevisa, Karla Baeta.
A Polícia Civil também instaurou inquérito para investigar três casos na Região Agreste, onde dois homens morreram e um perdeu parte da visão, todos com sintoma de intoxicação por metanol. O delegado de Lajedo, Cledinaldo Orico, já começou a investigar os casos. As notícias das mortes de Jonas da Silva Filho e e Celso da Silva chegaram à Secretaria Estadual de Saúde na terça-feira (30/9). E também a intoxicação de Marcelo dos Santos Calado, que – como os dois – apresentou sintomas típicos da contaminação por metanol. Ele sobreviveu, mas teve perda bilateral da visão. Ou seja, todo cuidado é pouco na hora de consumir bebidas alcoólicas no país. E também aqui em Pernambuco. Talvez o melhor mesmo seja não beber. Quem o fizer, melhor comprar garrafa lacrada no supermercado de sua confiança e guardar a nota fiscal. Assim, fica mais fácil a polícia e a Apevisa rastrearem, em caso de intoxicação.
A Apevisa distribuiu nota técnica na tarde dessa quarta-feira, orientando como os municípios devem agir, em caso de suspeita de contaminação pelo etanol. O Estado conta com o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox-PE), que funciona 24 horas para orientar consumidores e profissionais de saúde, pelo número 0800 722 6001. Denúncias também podem ser feitas à Ouvidoria da SES-PE (136 / ouvidoria@saude.pe.gov.br), ao Procon-PE (0800 282 1512 / (81) 3181-7000 / denuncia@procon.pe.gov.br) e à Delegacia de Crimes contra o Consumidor – Decon (81) 3184-3835 / dp.consumidor@policiacivil.pe.gov.br).
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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins / #OxeRecife e Genival Paparazzi (Acervo #OxeRecife)

Que horror! Quem imaginaria que tomar uma bebida virasse motivo de preocupação e de risco de vida.Devemos ficar atentos,pois até o lazer e momentos de descontração estão ameaçados por uma prática criminosa.