Manifestação cultural ainda muito comum em Pernambuco, o Cavalo Marinho marca sempre presença nos festejos do Ciclo Natalino do Recife, com música e sua coreografia peculiar. O que poucos sabem, é que o folguedo mistura, também, resistência, memória, humor, improviso e crítica social. É, inclusive, considerado Patrimônio Cultural do Brasil.
“O Cavalo Marinho é um grito de contracolonização. Quando dançamos, tocamos e brincamos, estamos ativando memórias ancestrais e construindo conhecimento a partir do corpo, da experiência e da relação com o território”, afirma Fábio Soares, integrante de uma família que perpetua o brinquedo há cinco gerações.
Nascido em Condado – a 72 quilômetros do Recife – ele mudou-se para a Região Metropolitana, onde costuma dar cursos sobre o Cavalo Marinho. O próximo acontece entre os dias 13 e 22 de janeiro de 2026, no Espaço Casa do Farol, em Olinda. O custo do investimento no workshop “Danças do Cavalo Marinho Espistemologias Afro Indígenas” é de apenas R$ 50. E será conduzido pelo próprio Fábio, mestre do Cavalo Marinho Boi Estrela, e artista da cena contemporânea. Durante os encontros, os participantes são convidados a compreender o Cavalo Marinho não apenas como expressão artística, mas como prática ancestral atravessada por história, espiritualidade, relações raciais, de gênero e pelos processos de escravização de povos indígenas e africanos no Brasil.

A vivência articula dança, música e presença cênica como formas de produção de conhecimento. A atividade acontece sempre as terças, quartas e quintas-feiras, das 19h às 21h e é voltada a professores, estudantes, artistas das artes da cena e participantes interessados em aprofundar seus conhecimentos sobre essa manifestação cultural da Zona da Mata Norte de Pernambuco. O workshop é fruto do projeto “Artes Cênicas e Universidade- repensamento curricular de intervenções antirracistas”, financiado pelo CNPq, com coordenação do professor doutor Erico José Souza de Oliveira, da Universidade de Brasília. A proposta “parte de uma perspectiva contracolonial”, que compreende “o corpo como lugar de conhecimento e reconhece saberes territorializados historicamente invisibilizados pelos modelos acadêmicos tradicionais”.
A metodologia do workshop inclui aquecimentos com saltos, marcação rítmica da música, alongamentos que mesclam elementos da ioga e do Cavalo Marinho, observação e execução de passos, ajustes corporais, discussões em grupo e exercícios voltados à presença cênica e à corporeidade dessa brincadeira popular. Fábio dá cursos no Recife desde 2023 e em 2024, fundou o Cavalo Marinho Boi Estrela do Recife, assumindo a função de mestre. Ele iniciou sua trajetória ainda na infância, produzindo máscaras no ambiente familiar, e mais tarde integrou grupos como o Cavalo Marinho Estrela de Ouro e o Maracatu Leão de Ouro, liderados por seu avô, o mestre Biu Alexandre. Desde 2005, reside no Recife, onde construiu uma sólida atuação nas artes da cena, integrando companhias como Grial Dança e Grupo Ganlante, além de desenvolver trabalhos autorais, ações pedagógicas e pesquisas ligadas às culturas tradicionais.
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Serviço
Workshop Danças do Cavalo Marinho Epistemologias Afro-Indígenas
Período: 13, 14, 15, 20, 21 e 22 de janeiro de 2026
Dias: terças, quartas e quintas
Horário: 19h às 21h
Local: Espaço Casa do Farol
Endereço: Rua do Farol, nº 68, Bairro Novo, Olinda
Preço único: R$ 50
Inscrições e pagamento: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSd-WtH2IvzPzMwgHbk0S7rRc9OysQTfI-It01m-2nagOhtOzQ/viewform
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Acervo #OxeRecife e Panamerica Filmes
