Manifestação contra Bolsonaro: Agressão da PM foi insubordinação?

 Manifestação contra Bolsonaro: Agressão da PM foi insubordinação?

Compartilhe nas redes sociais…

Realmente, não dá para entender. Foi muito feio o que aconteceu hoje no Recife, durante caminhada contra o Governo Jair Bolsonaro, quando a Polícia Militar de Pernambuco disparou spray de pimenta e bombas contra os manifestantes. Pegou mal por três motivos: Primeiro, porque ataque de PM a um ato democrático lembra a ditadura e as constantes manifestações de intolerância, praticadas por seguidores do bolsonazismo. Segundo, porque não houve confronto em nenhum estado, a não ser no nosso. Terceiro, porque o ato obedecia aos protocolos sanitários, pois os manifestantes guardavam distanciamento e iniciariam a caminhada em fila indiana.

Aglomeração houve, sim, mas devido à correria. Ou seja, por culpa da polícia. PM é um órgão de estado, subordinado ao Governador. No caso, Paulo Câmara (PSB). Mas por que um adversário político de Bozó mandaria a PM jogar bombas em manifestantes que gritavam  justamente “Fora Bolsonaro?”. Portanto, a violência praticada pela PM desperta estranheza dentro do contexto político estadual. Mas ainda por conta de um vídeo divulgado pela Vice-Governadora Luciana Santos (PC do B) em seu Instagram, no qual ela afirma que o socialista não deu ordem para acabar com a manifestação. E então, a PM agiu sozinha? Foi um ato de insubordinação? É a pergunta que fica no ar, ao ouvirmos a fala da vice. “Acabo de saber o que ocorreu na Dantas Barreto, da violência praticada contra manifestantes. Quero dizer que isso não foi autorizado pelo governo do Estado”.

E acrescenta: “O governo de Pernambuco tem se pautado pela democracia e pelo diálogo”. Depois, conclui: “Falo como militante. Condenamos esse tipo de atitude e vamos às consequências do acontecido”. Pelo #OxeRecife,  telefonei para a Assessoria de Imprensa do Palácio do Campo das Princesas, que informou que seria emitida uma nota oficial, mas até às 15h20 ela não havia chegado às redações. Foi o horário em que essa postagem foi fechada. Nas redes sociais,  os comentários começaram a pipocar. E não são nada lisonjeiros  para o governo estadual.

Segundo a assessoria da Vereadora Liana Cirne (PT), ela foi agredida por um policial, caiu no chão e teve que ser socorrida na UPA da Avenida Abdias de Carvalho. As imagens da agressão   – inclusive com a vereadora deitada no asfalto – também foram divulgadas pelo Instagram da petista, que disse ter dado uma “carteirada necessária” no PM que a abordou.

Pelas imagens, ela parece ter sido agredida com spray de pimenta. O senador e presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Humberto Costa (PT-PE), pediu “a apuração rigorosa” das agressões feitas por integrantes da Polícia Militar contra manifestantes durante a dispersão do ato contra o presidente Jair Bolsonaro, no Recife. “Do mesmo modo como ocorreu em todo o país, o ato vinha sendo realizado de forma pacífica. Entre os manifestantes atacados de forma truculenta, está a vereadora e líder do PT na Câmara do Recife, Liana Cirne Lins (PT), que foi covardemente agredida e teve que receber atendimento médico de emergência”.O senador prestou solidariedade a ela e a todos os outros manifestantes que sofreram com a truculência. “O ato ocorreu com respeito às normas de distanciamento social e de proteção individual”. O senador cobra do governo e do governador a apuração rigorosa dos fatos e exemplar punição aos responsáveis por este ato violento.  Ele distribuiu uma nota logo após a confusão.

No final da tarde, o Governador Paulo Câmara se pronunciou sobre o assunto, em sua conta no Twitter. Ele disse que  repudia “todo e qualquer ato de violência” e que determinou a imediata apuração de responsabilidade.  Informou, ainda que a Corregedoria da Secretaria de Defesa Social instaurou procedimento para investigar o caso. “O oficial comandante da operação além dos envolvidos na agressão à vereadora Liana Cirne, permanecerão afastados de suas funções”.  Resta saber o que o comando da PM tem a dizer sobre este ato de insubordinação. Como sabemos, nos quartéis, costuma-se cumprir ordens.  Na PM, o soldado obedece ao sargento, o sargento ao capitão, o capitão ao major, o major ao coronel.

Até o momento, a PM não disse…  nada. Com a palavra, o Comandante da PM.

Leia também:
Memória e censura: Quando a palavra camponês era proibida nas redações
Memória: Período militar, quando as armas viraram oferendas na ditadura militar
Trilhas da democracia: Intimidação e mordaça nas universidades
UFPE divulga nota mas não explica autocensura a vídeo sobre pandemia
Manifesto contra censura da Ufpe a vídeo sobre pandemia e negacionismo
Censura a nome de Bolsonaro provoca exoneração de diretor na Ufpe
Memória: Período militar, quando as armas viraram oferendas no altar
Fora Bolsonaro nas ruas e reações antidemocráticas nas redes sociais
Governadores repudiam negacionismo e invasão a hospital
O pior cartão de natal de minha vida
Filme revive fatos da ditadura de 1964
Livro oportuno sobre a ditadura (que o Presidente eleito diz que nunca existiu)
Lição de história sobre ditadura no Olha! Recife
Ministério Público recomenda que não se comemore 1964 nos quartéis do Exército
A história de 1968 pela fotografia
Cantadores: Bolsonaro é a marca do passado
E agora, Bozó?
Arsenal: Sexta tem Cabaré do Bozó
Coronavírus: vaidade, mesquinharia, doação
Herói, palhaço, lockdown

Cientistas contestam Bolsonaro
Voltar à normalidade como? “Gripezinha”, “resfriadinho” ou genocídio?
Servidor federal é demitido porque fez a coisa certa na proteção ambiental
Ministro manda oceanógrafo trabalhar na caatinga: O Sertão já virou mar?
O Brasil está virando o rei do veneno
Fome, tortura, veneno e maniqueísmo
Agricultura, veneno e genocídio
A fome no Brasil é uma mentira?
A mentira da fome e a realidade no lixão do Sertão que comoveu o Brasil

A história de 1968 pela fotografia
Cantadores: Bolsonaro é a marca do passado
“Nazista bom é nazista morto” chama atenção em muro do Exército
Menino veste azul e menina veste rosa?
“Falsa impressão de que arma é a solução”
Cuidado, armas à vista. Perigo!
Azul e rosa na folia dos laranjais
Circo, Galo, frevo, festa e o carai

Ditadura: a dificuldade dos escritores
Público vai ter acesso a 132 mil documentos deixados pelo Dom da Paz
“Cárcere” mostra o Brasil da ditadura
Pensem, em 1964 já tinha fake news: bacamarteiros viraram guerrilheiros
Cinema dominado e poucas opções: Amores de Chumbo
Mutirão contra a censura de Abrazo
Censura de Abrazo vira caso de justiça
Os levantes dos camponeses e a triste memória da ditadura em Pernambuco

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Redes sociais

Posts Relacionados

4 Comments

  • Excelente reportagem! Esse fato gravíssimo precisa ser devidamente investigado e os culpados severamente punidos. Pernambuco envergonhou a Democracia brasileira, pela truculência e incompetência de uma Instituição que deveria proteger a população, não ameaçá-la e agredí-la. O Governador divulgou vídeo afirmando seu repúdio aos atos de agressão da PM e prometeu apurar e punir os responsáveis (os quais demonstraram claramente que não possuem as mínimas condições morais necessárias para atuarem como policiais). Vamos aguardar as providências do governador.

  • O policial parece saudoso da ditadura de 1964 ao atacar bestialmente a vereadora. A sociedade pernambucana aguarda explicações das autoridades. odonportodealmeida2020@gmail.com
    2

  • Em suma, militares recebem lavagens cerebrais nazifascistas desde 1964. Por, fora, e também por dentro, há o fundamentalismo religioso, cego, idiotizante, até com capelanias militares, uma espécie de sinecura de Deu$. Um País sem escola pública decente, pelo menos; sem justiça social alguma, sem presente e sem futuro. Triste.
    Um escritor decente como Osman Lins, está com seus olhos claríssimos brilhando
    no fundo das trevas atuais, como num poema de José Paulo Paes, pelo excelente trabalho de Letícia.

    • Obrigada,José Ramos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.