Mangueira padece: “furadeira e veneno”

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Muito bem aplicada, a multa superior a R$ 23 mil contra uma corretora de seguros, acusada de ter “assassinado” uma  exuberante mangueira em via pública, no bairro dos Aflitos. O crime ambiental ocorreu à frente do número  331 na Rua Teles Júnior, onde funciona a Krause Corretora de Seguros. Vejam quanta maldade: câmeras de segurança flagraram quando funcionários da empresa usaram furadeiras, para injetar veneno no tronco da árvore indefesa e que nenhum, mas nenhum mal mesmo provoca aos humanos. Inclusive aos que naquela firma trabalham. Provavelmente o destino que queriam para a planta era a guilhotina. Ou seja, a motosserra insana. A ação motivou protestos de vizinhos, inclusive no prédio São José de Anchieta, cujos moradores colocaram lá placas contra o crime ambiental e enviaram gravação de vídeo para os órgãos competentes.  Os matadores da árvore agiam sempre à noite.

“ No vídeo, é possível ver três homens entrando e saindo da corretora e usando a energia elétrica da empresa para ligar uma furadeira. A ferramenta foi usada por um dos homens para fazer furos na árvore. A planta, que deveria ter cerca de 15 anos, recebeu 13 perfurações no tronco. Os homens também injetaram no caule da árvore uma substância química vermelha e de cheiro forte, envenenando a planta e o solo”, informa a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife.  “Quando vimos que a árvore estava doente, conversamos com agrônomo, compramos adubo e até passamos a regá-la com maior frequência”, comenta Rúbia Castro, uma das moradoras do prédio, onde houve maior mobilização contra a tentativa de assassinato da árvore. Os residentes tentaram reverter o quadro. “Mas, engenheiros florestais do órgão avaliaram que o dano provocado à mangueira é irreversível. O veneno foi injetado em direção ao cerne localizado ao centro do tronco e, com isso, o veneno se espalha por toda a área de crescimento da planta”, atesta a Sdsma.

O processo administrativo contra a Krause já foi concluído no dia 18 de outubro, e resultou em multa de R$ 23.625 contra a empresa.“O responsável ainda será obrigado a fazer uma medida compensatória, que envolverá o plantio de duas mudas no prazo de 20 dias, a contar da notificação. Como o solo está contaminado, não será possível fazer o replantio no mesmo local onde a mangueira estava. Também caberá ao responsável cuidar das novas plantas pelo prazo de um ano”. A mangueira, será retirada, mas terá seu tronco preservado no local. Ou seja, mais um “tamborete”, entre tantos observados nas ruas do Recife. Mas só que, dessa vez, a pedido dos moradores. Eles que querem fazer intervenção no local, como símbolo do dever que temos de preservar a natureza.

O Gerente Geral de Controle Ambiental da Sdsma, Edson Simões, informou que uma denúncia formal contra o autor do assassinato da árvore será encaminhada para a Delegacia de Polícia do Meio Ambiente (Depoma) para que seja feita uma investigação por crime ambiental. A Sdsma determinou, ainda, que a Corretora de Seguros será obrigada a custear o serviço de retirada da árvore. Para tanto, a empresa precisará dar entrada no processo de autorização para erradicação na unidade da secretaria, localizada no bairro da Encruzilhada. Nele, será especificado o procedimento a ser adotado para contratação de serviço especializado. O requerimento tramitará em regime de urgência devido à constatação do início do processo de morte da planta. A saga da mangueira assassinada vem se somar ao arboricídio que se registra nas ruas do Recife, e contra o qual o #OxeRecife deflagrou a campanha #ParemDeDerrubarÁrvores. Veja na galeria abaixo, as etapas do assassinato da mangueira:

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Texto:  Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Ângela Brainer /Cortesia 

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