Mais um petista morto por um bolsonarista. Alguém sabe quando a violência política vai parar?

Violência não dá. Em meio a tanta apologia às armas, a ações nas redes sociais e nas ruas para descredenciar as instituições democráticas, a ofensas ao Supremo Tribunal Federal e a declarações do “imbrochável” ex-capitão de que é preciso “extirpar” os adversários políticos da vida pública, a campanha eleitoral tem mais uma vítima. Benedito Cardoso da Silva, 42, foi assassinado com 15 golpes de faca e um de machado, na cidade de Confresa, Mato Grosso. Detalhe: a vítima era eleitor de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.

Outro detalhe: o acusado, que inclusive confessou o crime, chama-se Rafael Silva de Oliveira, 24, é eleitor de Jair Messias Bolsonaro.  “O que levou ao crime foi a opinião política diferente. A vítima estava defendendo Lula. E o autor (do homicídio) defendendo Bolsonaro”, afirmou aos jornalistas o responsável pela investigação, Delegado Victor de Oliveira.  Em julho deste ano, o tesoureiro do PT e guarda municipal, Marcelo Arruda, também foi assassinado, a tiros, pelo bolsonarista Jorge Guaranho. O crime, praticado em uma festa de aniversário, chocou o país. E ocorreu em Foz de Iguaçu, no Paraná.

Sinceramente, a apologia que o ex-capitão e seus filhos fazem das armas, no meu entender, só incita a violência

Confresa fica a cerca de 1.180 quilômetros de Cuiabá, possui cerca de 33 mil habitantes e é tida como uma das 50 cidades mais violentas do Brasil. Infelizmente, no Brasil tem havido incitamento à violência, principalmente entre os adeptos do Presidente – candidato à reeleição – que parecem querer resolver suas pendências políticas na bala e na faca. Se a maior autoridade da República dá mau exemplo, incita a violência, afirma ser necessário “fuzilar a petralhada” e desafia os poderes constituídos, não respeita  as determinações judiciais, o que esperar dos “humildes mortais” se sentem no direito de fazer o mesmo?  Ou pior, como aconteceu no Paraná e no Mato Grosso.

Essas dissidências violentas se revelam, também, de outra forma. No Recife, por exemplo, conheço várias pessoas que vão votar em Lula, mas que não colocam propaganda petista em automóveis, porque há vários casos de para-brisa ou vidros das janelas quebradas. Hoje, conversando com um vendedor de bandeiras – do Brasil e do PT – perguntei quais as mais vendidas, se as verdes ou as vermelhas. Ele respondeu que eram as verdes. Achei estranho, porque Pernambuco é talvez o estado onde Lula tem o maior percentual de votação. Um outro ambulante que vende quinquilharias perto do vendedor de bandeiras vermelhas e verdes, matou a charada. “O pessoal não está comprando as vermelhas, porque tem muita agressão, até carro amassado pelo pessoal das bandeiras verdes”, disse o camelô, que pediu para não se identificar.

Se votar em Bolsonaro já é ruim e difícil de entender, pior ainda é matar por ele. Até porque a melhor ferramenta para eleger um candidato é o voto, a urna. E não o rifle, o machado, a faca. A democracia brasileira não merece sangue. Já houve muito sangue derramado ao longo da nossa história, inclusive durante a ditadura que o ex-capitão diz jamais ter existido. Com seu negacionismo,  desconhece  que o Brasil já teve ditadura, tortura, ditador e torturador. Do jeito que ele inverte as verdades, daqui a pouco vai dizer que foram os petistas que mataram os bolsonaristas.

É mesmo muito triste o que a gente está assistindo no nosso país. Depois da grotesca comemoração dos 200 anos da independência, tudo é possível. Abaixo, vocês conferem outros links sobre política e história.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e Redes Sociais

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