Longe de “caciques” políticos, caciques indígenas fazem coletivo para disputar mandato estadual

 Longe de “caciques” políticos, caciques indígenas fazem coletivo para disputar mandato estadual

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Em 2018, cinco mulheres fizeram história ao criar um grupo que, sob o codinome “Juntas”, conseguiram o primeiro mandato coletivo na Assembleia Legislativa de Pernambuco. O grupo era formado por Kátia Cunha (professora), Carol Virgolino (jornalista), Joelma Carla (estudante),  Jô Lima (ambulante)  e Robeyoncé Lima (advogada). Sendo esta a primeira transexual do Norte e Nordeste a conseguir carteira da OAB usando o nome social. Elas foram eleitas pelo PSOL.

Em 2022, Carol e Robeyoncé estão tentando eleição para a Câmara Federal. O trio restante, ainda sob a forma de coletivo, tenta voltar ao poder legislativo estadual.  O PSOL busca uma outra vaga no Palácio Joaquim Nabuco, com um segundo grupo, o “Sertanejas”,  coletivo que representa a Região do Pajeú. Essas iniciativas são bem interessantes, até porque constituem uma forma de reunir forças para neutralizar o poder econômico e político de clãs que secularmente dominam a política no estado. Onde, aliás, o que não falta  na política é  “cacique” e gente querendo ser. E os pernambucanos, sinceramente, estão cansando de tantos anos sob domínio de oligarquias, sejam no interior ou na capital.

Dois caciques – não confundir com “caciques políticos” –  e mais três índios disputam mandato com coletivo indígena.

E esses “caciques” que estão por aí,  se revezando há tanto tempo no executivo e no legislativo, ninguém aguenta mais. Pensando nisso, povos nativos também formaram um grupo, o @coletivo_indigenape, no qual constam dois caciques de verdade.  No coletivo, estão representados cinco povos: Fulniô (Emany), Pankararu (Cacique Marcelo), Truká (Cacique Bertinho), Atikum (Lucenildo) e Kambiwá (Félix). O Coletivo Indígena disputa o mandato pela Rede (18000) e faz dobradinha com Túlio Gadelha (1818), também da Rede, e que disputa a reeleição.

A Rede é o partido da ex-Ministra e ambientalista, que nesta semana declarou apoio a Lula, do PT. É, também, o partido do Senador  Randolfe Rodrigues (nascido em Garanhuns, PE, mas eleito pelo Amapá), umas das vozes mais combativas ao governo do ex-capitão, que não gosta de índio, destrata as mulheres e não respeita os negros nem as minorias. Do grupo, apenas a tribo fulniô é da Região Agreste, no município de Águas Belas, a 314 quilômetros do Recife.

As outras  ficam no Sertão do Estado, distribuídas pelos seguintes municípios: Petrolândia, Tacaratu e Itaparica (Pankararu); Cabrobó (Truká); Carnaubeira da Penha (Atikum); Inajá, Ibimirim e Floresta (Kambinawá). De acordo com os índios se uniram “com o propósito de defender a vida, o meio ambiente e os direitos das populações mais vulneráveis do estado”. Afirmam, ainda, que a candidatura busca “garantir protagonismo dos povos indígenas, das comunidades tradicionais e dos movimentos sociais, construindo sua própria história”. Estão certos. A política já tem “caciques” demais e os povos tradicionais precisam de caciques de verdade que os representem.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Redes sociais/ @coletivo_indigenape

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