Bloco do São Luiz: Kleber Mendonça, Wagner Moura, Fernanda e Pitombeira

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Depois de “Retratos Fantasmas” e “O Agente Secreto”, aumentou a curiosidade em torno do Cinema São Luiz, o único de rua que resta no centro do Recife e que vem a ser considerado um dos mais icônicos do país. Não é tombado pelo IPHAN (bem que merece) mas, pelo menos, é tombado desde 2008 pelo estado (Fundarpe) , tendo – portanto – que ser preservado.

Ainda bem. Pois após ser fechado, chegou muito perto de ter destino igual a muitos outros cines de rua da Região Metropolitana: virar igreja evangélica. Não virou. E está aí, alimentando a auto estima do Recife, as memórias afetivas da população e atraindo a geração shopping-center, boa parte da qual nunca havia antes frequentado uma sala de cinema fora dos atuais templos do consumo.

Nesse domingo, o São Luiz ganhou as ruas. Virou bloco de carnaval, pegando carona  no sucesso do filme de Kleber Mendonça, o mais badalado do cinema nacional entre o final de 2025 e o começo de 2026. Eu tenho grandes recordações do São Luiz, que costumava frequentar com meus pais quando criança, aos finais de semana, quando o centro do Recife era cheio de glamour. Mas o que me motivava mais a ir naquele cinema não era só o filme , quando  íamos assistir  desenhos animados, comédias de Jerry Lewis (1926-2017), Alberto Sordi (1920-2003), Charles Chaplin (o Carlitos, 1889-1977).E também filmes da dupla O Gordo (Oliver Hardy) e o Magro (Stan Laurel), que nunca mais ouvi falar, mas que nos despertavam boas risadas. Entre os anos 1927 e 1950, os comediantes (ingleses senão me engano) fizeram o mundo gargalhar em mais de cem produções.  No São Luiz, mais do Mais do que os filmes, o que me despertava emoção era ver os vitrais que formam um par de  jarros acenderem, aos lados da tela, antes da sessão começar. Meu Deus, era emoção demais contemplar aquelas obras de arte, alegres e cheias de mistério para os meus olhos de criança, e que acendiam e apagavam rapidamente. Para não perder o espetáculo colorido, eu nem pestanejava.

Hoje não saí. O tempo está muito feio aqui para as bandas onde moro. Parece que vem muita chuva por aí. Mas a amiga Lélia de Maria, que não perde uma, está lá no bloco, onde alguns foliões inclusive usaram os vitrais reproduzidos em suas fantasias, como mostra a foto acima. Lindo, né, amar assim o que é nosso! Haja pertencimento. Também estão saindo no mais novo bloco do Recife, os bonecos gigantes de Kleber Mendonça (diretor) e Wagner Moura (que interpreta Marcelo, em “O Agente Secreto). A dupla e o filme do pernambucano vêm arrasando em festivais por onde têm passado e o filme está indicado a quatro estatuetas do Oscar, a mais importante premiação do cinema no   mundo.

A dupla de bonecos gigantes está muito bem acompanhada, ao lado de Fernanda Torres (do no premiado “Ainda estou aqui”). Para completar, a Orquestra da Pitombeira dos Quatro Cantos ajudou a fazer a festa. A agremiação carnavalesca teve, em 2026, a camiseta mais disputada pelos foliões. Aquela, retrô, usada por Marcelo, em “O agente Secreto”, e vestida na foto acima pela foliã Lélia de Maria.  O bloco vai até o Caranguejo gigante da Rua da Aurora, bem pertinho do Ginásio Pernambucano, que também serviu de locação para o filme de Kleber.

E, chegando, é só ficar. Pois já está começando a concentração do Bloco Maluco Beleza, comandado  pelo cantor Alceu Valença. E bem pertinho, na Avenida Alfredo Lisboa (é só atravessar a ponte), a partir das 17h30, tem o último dia do Festival Pernambuco meu país, no Terminal Marítimo de Passageiros. Além das atrações locais (Turma do Saberé,  Orquestra Recife de Bambas, Gabi do Carmo, Karina Spinelli, Maria Pagodinho e Gerlane Lopes), a noite fecha com Alcione (20h), Belo (22h) e Glória Groove (meia noite).

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos:  Lélia de Maria / Cortesia

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Um comentário

  1. Deve ter sido uma sucesso o Bloco do São Luiz!
    Acho que vai virar tradição e será um dos mais disputados.
    O São Luiz também me proporcionou momentos inesquecíveis, filmes incríveis que assisti na minha infância e adolescência. E,claro,presenciar aquele momento especial do cinema,quando ao apagar das luzes se destacam os famosos e icônicos vitrais, não tem preço. É recordação pro resto da vida….

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