Jornal do Commercio, agora inteiramente digital, deixa saudades

Que pena. Sou do tempo que gosto de ver o jornal impresso. Curtia o ritual antigo de abrir a porta de manhã, pegar o jornal à minha espera e folhear suas páginas antes mesmo do café matinal. Como naquelas cenas do cinema, quando o ator abre a porta para pegar o jornal e a garrafa de vidro deixada na frente de casa pelo entregador. É verdade, no entanto, que já vira, antes – no dia anterior – quase todo o noticiário em tempo real nas redes sociais.  Mas hábito é hábito, e  a gente se acostuma. Vira mania. Era assinante do Jornal do Commercio  há um bom tempo, pois tenho ligação afetiva com o veículo, no qual comecei minha vida profissional quando ainda era estudante de Jornalismo.

Lá comecei como estagiária, mas em dois meses já estava contratada mesmo sem ter concluído o curso que fazia na Universidade Católica de Pernambuco, então o único que existia no Recife. Lembro-me das saídas no velho jipe da Redação, que usávamos para cumprir nossas pautas.  Na época, a empresa publicava o JC (matutino) e o Diário da Noite (vespertino). Depois, passei quase toda a vida em veículos do sul, com passagens pelo Jornal do Brasil, Veja, TV Globo, Jornal do Brasil de novo e, por fim, jornal O Globo, ao qual dediquei 23 anos de minha vida.

Ao sair do Globo, fui chamada para fazer a Coluna JC nas Ruas, no JC, onde passei um ano, em 2015. Foi uma forma de matar a saudade dos tempos do começo, de viver o calor humano da redação (nos veículos do sul trabalhei em sucursais), de me aproximar do público de minha cidade, dedicando-me aos problemas urbanos que afligiam a comunidade e que, de certa foram, continuo fazendo, hoje, aqui no #OxeRecife. Nessa quarta, o Presidente do Sistema JCPM, João Carlos Paes Mendonça, anunciou que o JC “passa a ser um veículo cem por cento digital”. Faz um pequeno histórico sobre a versão impressa, “que por mais de um século foi a representatividade maior de nossa marca” e fez o resumo que o levou a tal decisão.

O JC circulou a partir de 1919 e passou às mãos do JCPM a partir de 1987, quando foi reerguido, às custas de muito esforço do empresário e de competentes profissionais que, aos poucos, foram sendo desligados da empresa, porque os custos operacionais deixavam a empresa sempre no vermelho. Infelizmente. Penso que os jornais de papel estão com os dias contatos. Mas penso, também, que os que saibam se reinventar não deixarão de circular.  No meu caso, perdi um prazer matinal. Hoje, no entanto, telefonei muitas vezes para o setor de assinaturas, mas não consegui saber como fica a situação dos assinantes. Se o jornal de papel tinha produção muito mais cara, havemos de convir que a assinatura digital deverá ser mais barata. A única resposta que ouvi, no entanto, era a voz eletrônica dizendo que o JC é inteiramente digital. Mas satisfação ao assinante que é bom…. nada!

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife

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