Conforme prometi aos leitores, moradores e amantes do Recife – que sonham com uma cidade mais humana e verde – em 2018, não vou deixar passar em branco a herança do arboricídio, cada dia mais presente na paisagem de nossa cidade.
No dia 2 de maio de 2017, uma árvore foi assassinada na Rua da Alliança, Apipucos (Deixem de derrubar árvores -19). Ela tinha cupins. Vários pedidos foram feitos ao poder público, para que a planta recebesse tratamento. Como não ocorreu, o ataque da praga piorou. E a Emlurb decidiu erradicar a árvore. Aliás, quando a motosserra da Engemaia chegou, veio com ordem para derrubar duas (a Engemaia é restadora de serviço da Emlurb)
Ambas tinham cupins, mas uma delas foi tratada por morador, que não permitiu o corte. Pois bem, na época, houve a erradicação. Mas os cupins ficaram de presente. Quando as pessoas passavam ao lado do tronco guilhotinado, os insetos fervilhavam. Davam até arrepios em quem sabe a dimensão dessa praga. O tronco ficou no local por vários meses. A dona do imóvel em frente da “erradicação” pretendeu plantar um pau brasil no local. Mas não conseguia, porque o tronco ficou lá.
Há alguns dias, a motosserra voltou. Arrancou tudo, deixou um pedaço do tronco jogado no chão, depois levado por populares, para fazer provavelmente um tamborete. Agora,só resta a lembrança da árvore, e a herança de uma montanha de pó de serra em frente ao número 22 daquela via. E como vocês podem observar na foto, o local onde tinha uma grande sombra virou, agora, estacionamento para carros e motos.
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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife
