É vergonhoso dizer isso, mas é impressionante a quantidade de gente sem noção, aqui no Recife. E creio, em muitas outras cidades do Brasil. Tem motorista que buzina para que o carro da frente corte o sinal. Há os que reclamam quando você puxa o carro à esquerda, para respeitar a distância regimental de segurança do ciclista. E o banhista que leva o cachorro à praia e deixa o cocô na areia? E aquele que leva o rádio, e liga tão alto que os outros ficam impedidos até de ouvir o barulho das ondas do mar?
Nas minhas caminhadas diárias, vejo muita coisa esquisita. Por exemplo, gente botando lixo nos rios, açude (de Apipucos), nos canais. E até em áreas limpas. Por exemplo, se tem uma feira limpinha é a de orgânicos, que funciona às quintas-feiras, nos jardins da Fundação Joaquim Nabuco. Nunca vi nenhum feirante jogar lixo no chão da instituição. Pois um dia desses, um pai com uma filha bebê, decidiu comer melancia com a menina e perguntou: “Posso botar aqui mesmo?” E deixou nas pedras da entrada da Fundaj um monte sementes e pedaços de melancia, cascas, inclusive. Fiquei com pena do bebê. O que será da menina, com um pai porcalhão? Ele vai ensinar o quê a ela, no quesito limpeza?
Há alguns dias, passava a pé pela Rua Jerônimo de Albuquerque, em Casa Forte, quando vi uma cena inusitada. Um caminhão “enganchado” na esquina daquela via com a Dona Rita de Souza), porque havia um carro e um caminhão parados, nos lados opostos da esquina da primeira com a segunda, como vocês podem ver na foto acima. Pense no desespero do motorista do meio, para manobrar naquele espaço… Nesta semana, passei lá de novo, e vi, outra vez, carros estacionados no mesmo local, o que configura desrespeito ao Código Nacional de Trânsito. Hoje, de novo. Ainda bem que, pelo menos nessa terça, não tinha caminhão ou ônibus querendo entrar. Na rua onde resido, que não tem saída, já houve várias vezes em que fui impedida de entrar na garagem de minha casa. Motivo: um “dono da rua” estaciona exatamente no meio da via, impedindo por completo o direito de ir e vir dos moradores.
Teve um que passou doze horas fechando a rua, e ainda veio discutir com os moradores que o “trancaram” também, estacionando atrás do carro do cidadão, já que estavam impedidos de chegar em casa. O pior é que a Cttu nunca atendeu a nenhum chamado quando isso acontece. Há alguns dias, estava tomando banho de mar em Boa Viagem, quando um cidadão, com um saco cheio de peixes por ele fisgados, decidiu, simplesmente, tratar suas “presas” na água, junto de banhistas. Jogava vísceras, guelras, escamas. Na boa. Como se não houvesse ninguém por perto. Falha gravíssima: ele poderia ter deixado para limpar os peixes em casa. Pior: em Boa Viagem, onde há um histórico de ataque de tubarões, com oferta assim tão grande de carne fresca e sangue, a sua irresponsabilidade bem que podia ter atraído o peixe agressivo. Todas as pessoas que estavam por perto se retiraram da água, sem dizer nada, já que ele usava uma peixeira para “limpar” os peixes. Ou seja, um cidadão só, estragou o prazer de um montão de gente. E o que dizer de uma empresa de seguros, que matou uma árvore frondosa, com injeções de veneno, no Espinheiro? Sinceramente, cadê a cidadania desse povo?
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Texto e fotos: Letícia Lins/ #OxeRecife
