O carnaval do Pernambuco é lindo, diversificado, caleidoscópico. E o do Recife, claro, reúne todas as manifestações da nossa cultura popular. Mas alguns “senões” precisam ser lembrados para que, em 2027, essa festa se torne mais brilhante. E o #OxeRecife faz aqui algumas observações, entre as quais a falta de iluminação cênica na alegoria gigante do Galo da Madrugada, que à noite fica quase sem ser vista embora se apresente linda e monumental durante o dia. Uma outra é a aparente falta de sintonia entre a direção do bloco e a Prefeitura do Recife, que é quem organiza o carnaval da cidade. O Galo simplesmente barrou a presença do agora internacionalmente conhecido Grupo Guerreiros do Passo no desfile do bloco, no Sábado de Zé Pereira.
O Grupo Guerreiros do Passo é reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial do Recife desde 2025. Promove aulas gratuitas de frevo aos sábados em área pública (Praça do Hipódromo) e no ano passado ficou internacionalmente famoso, ao ganhar espaço no tapete vermelho do Festival de Cinema de Cannes, no dia da exibição do premiado filme “O Agente Secreto“, de Kleber Mendonça Filho. No Recife, ganhou novo tapete vermelho no desfile do Bloco Escuta Levino, na última quinta-feira, dentro do projeto “Pernambucannes”, do artista plástico francês Didier Zakine. Fundador e Diretor do Grupo Guerreiros do Passo, Eduardo Araújo reagiu com maestria à discriminação do Galo.
“Atitudes como essa reforçam o distanciamento dos valores que sustentam o ritmo; coletividade, acolhimento e valorização do artistas. Os integrantes dos Guerreiros do Passo não estavam ali para brincar, mas para cumprir agenda e honrar compromisso profissional. Carnaval é trabalho. Cultura é trabalho. A grandeza de uma instituição cultural não se mede pela dimensão de seu evento mas pela forma como trata quem constrói a sua história. Não aceitamos desrespeito. Ao carnaval do Galo, jamais voltaremos”. A nota é assinada por Eduardo Araújo, fundador e Diretor do Grupo Guerreiros do Passo”.
O texto acima, em destaque, faz parte da nota divulgada pelo Grupo Guerreiros do Passo em suas redes sociais, reclamando do fato de ter sido “alvo de um grave episódio de desrespeito no @galodamadrugada”. A participação seria em um cortejo junto ao Trio oficial da Prefeitura do Recife. Ao tentar acessar a entrada do Camarote do Galo da Madrugada, “fomos impedidos pelo senhor Rodrigo Menezes Filho, filho do Presidente da Agremiação, sob alegação de que não estávamos autorizados”. O grupo informou estar cumprindo recomendação oficial, “mas fomos tratados de forma ríspida e grosseira”. E acrescenta a nota: “Em tom arrogante, foi dito que a Prefeitura não manda no Galo e que se ele quisesse, nem o próprio pai entraria ali”.

Os Guerreiros disseram que o senhor em questão “que se mostra emocionado em entrevistas” quando aparenta “ser uma doce pessoa”, revelou-se “mal educado e estúpido”. De acordo com os Guerreiros, “ninguém é obrigado a conhecer todos os artistas , grupos culturais, mas todos têm o dever de tratar qualquer pessoa com dignidade”. Disseram que Galo da Madrugada, nunca mais.
Aqui, alguns lembretes sobre a maior festa popular do Recife. Falta iluminação na alegoria gigante do Galo da Madrugada. Centro das atenções durante o carnaval, com subida acompanhada por milhares de pessoas, a obra monumental idealizada pelo artista Leopoldo Nóbrega – repleta de significados – fica às escuras no período noturno. Só brilhou à noite no primeiro dia.
Não deveria ficar no breu. Requer iluminação especial, para servir também de destaque à noite. Outro porém: a eterna pobreza dos carros alegóricos do maior bloco de carnaval do mundo. Com tantos recursos e patrocínios, o Galo da Madrugada deveria pensar em fazer um up grade nesses tipos de destaque. Realmente não empolgam. Se tem 33 trios elétricos imensos, porque os alegóricos não são monumentais como ocorre, por exemplo, com os das escolas de samba do Rio de Janeiro? Se não de grandes proporções, pelo menos, mais ricos e mais bonitos. Digamos assim, mais Leopoldo Nóbrega. Mais artísticos!
Por fim, nota zero para o absurdo de barrar os Guerreiros do Passo no desfile do Galo. O grupo faz um trabalho cultural raiz e de base, nunca trocou seus princípios pelo viu metal dos patrocínios, mantendo-se fiel na defesa do mais recifense dos ritmos. Das duas uma: ou faltou sintonia entre o Galo e a Prefeitura, ou o Galo está pousando de dono do galinheiro, botando quem lhe faz sombra para correr. Mas, como diz Eduardo Araújo, “a grandeza de uma instituição não se mede pela dimensão do seu evento”.
Por fim, a decoração da cidade para a sua maior festa também deixou a desejar. Já a segurança, parece estar funcionando. Até mesmo nas água do Rio Capibaribe, que foi ocupada pela PM no sábado, para prender um homem que agrediu a mulher, dentro de uma lancha cujos ocupantes assistiam ao desfile do Galo. O agressor deixou a cara da vítima sangrando, foi vaiado pela multidão, enquanto a PM era aplaudida.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
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