Gênio da percussão, ganha “Ocupação Naná Vasconcelos” no Mamam, com cortejo de maracatus

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Naná Vasconcelos (1944-2016) será duplamente homenageado neste final de semana. Nessa sexta (14/2), tem o lançamento da Fotobiografia Naná – Do Recife para o Mundo, a partir das 19h, na Torre Malakoff, no Recife Antigo. No domingo (16/2), o saudoso artista ganha exposição no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), com direito a inauguração em meio a um bonito cortejo de maracatus. Ele merece. A fotobiografia, editada pela Cepe, vai contar com show musical, com participação de percussionista Gilú Amaral, do flautista e diretor musical César Michiles, da cantora Surama Ramos e das batuqueiras do grupo olindense Ìyámassé málé. O acesso é gratuito, mas o livro custa R$ 100 (impresso).

Enquanto tambores e alfaias se preparam para o Tumaraca – o encontro de 800 batuqueiros de maracatus que abrem o Carnaval do Recife na quinta-feira de carnaval (27/02), o Mamam) – recebe a exposição Ocupação Naná Vasconcelos. Pernambucano, mas homem do mundo – foi muitas vezes considerado o melhor percussionista do Planeta – Naná é, também, o idealizador do Tumaraca, cerimônia que marca definitivamente a abertura da maior festa popular do Recife. A inauguração da expô deve ser emocionante. É que abrindo alas para a mostra, um cortejo de maracatus sairá do Marco Zero, às 15h do domingo, em direção ao MAMAM. Sei não… penso que vai ser lindo.

A mostra tem curadoria do Instituto Itaú Cultural, e expografia de Isac Filho e Juliana Rabello, da Casa Criatura. Estreou em São Paulo no ano passado, e agora faz sua primeira escala, aqui na capital pernambucana, o que é justo. A mostra foi trazida de São Paulo pela Prefeitura, via Secretaria de Cultura do Recife. ”Naná foi o grande maestro das nações de maracatu, por tantos anos, então veio a ideia de integrar alguns desses grupos à mostra, refazendo o cortejo no sentido inverso, saindo do Bairro do Recife. A exposição está linda e estamos muito felizes por conseguir trazê-la ao Recife”, revela a secretária de Cultura do Recife, Milu Megale.

“A Ocupação Naná Vasconcelos ganha um significado especial ao ser acolhida em Recife, cidade que o viu nascer, crescer como artista e se tornar essa figura celebrada por todos. Um mestre da percussão”, diz Galiana Brasil, gerente de Curadorias e Programação Artística do Itaú Cultural. “Naná é um símbolo da cultura local que ganhou ares nacionais e mundiais, com as raízes fincadas no maracatu, no coco e em outros ritmos tradicionais pernambucanos”, completa.

A concentração para o cortejo será no Marco Zero começa a partir das 14h. Na chegada ao museu, os músicos promoverão o encontro simbólico das ruas e tambores de hoje ao legado de Naná, acrescentando ao acervo da mostra alguns instrumentos, que permanecerão no salão de acesso ao museu durante todo o período expositivo. Participarão os maracatus Almirante do Forte, Patrimônio Vivo do Recife, Estrela Brilhante do Recife, Raízes de Pai Adão e Aurora Africana. 

Naná, pernambucano, foi nove vezes considerado o melhor percussionista do mundo: idealizador do Tumaraca

Lá dentro, o percurso da exposição será composto por seis eixos e será guiado por nomes de álbuns do artista, em uma espécie de espiral do tempo que acompanha sua vida e obra. Ao todo, a mostra reunirá cerca de 90 peças, divididas nos  seis eixos temáticos. Entre elas, objetos originais nunca expostos, como o berimbau e um tapete que ele usava durante os shows, para acomodar seus instrumentos.  O berimbau original de Naná Vasconcelos está fincado no coração da ocupação dedicada a ele. O instrumento foi construído pelo percussionista, em 1967, com uma corda de piano afinada em Fa, em substituição à tradicional. Foi o único berimbau que teve e o acompanhou até a sua morte, em 2016.

Desde então, o objeto ficou guardado em um depósito da família, foi exposto pela primeira vez em São Paulo e agora protagonizará a mostra no MAMAM. O acervo da exposição sobre o multiartista brasileiro, nascido no Recife, em 1944, conta ainda com fotos, vídeos, vestimentas, instrumentos e objetos originais, como uma das premiações recebidas por ele: o Grammy Latino, conquistado em 2011, pelo álbum Sinfonia e Batuques. Os álbuns “Sinfonia e Batuques”, “Isso Vai Dar Repercussão”, “Codona”, “Contando Estórias” e “Africadeus” dão o tom para as diferentes etapas da vida do artista, que o público desvendará passo a passo. O sexto eixo leva o nome do próprio homenageado e se encontra com o primeiro, completando a espiral de sua vida.

Lembrete: Hoje à noite, a partir das 18h, Naná Vasconcelos ganha mais uma reverência. Informações mais detalhadas sobre evento na Torre Malakoff no primeiro link, no Leia também. 

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SERVIÇO
SEXTA-FEIRA (14/02)
Lançamento da Fotobiografia Naná – Do Recife para o Mundo, com apresentações do percussionista Gilú Amaral, do flautista e diretor musical César Michiles, da cantora Surama Ramos e das batuqueiras do grupo olindense Ìyámassé málé.
Quando: Sexta-feira, 14 de fevereiro 
Hora: 19h
Onde: Torre Malakoff (Praça do Arsenal, s/n, Bairro do Recife, no Centro)
Preço: R$ 100 (impresso)
*Entrada gratuita

DOMINGO (16/02)
Ocupação Naná Vasconcelos
Local: MAMAM – Rua da Aurora, 265, Boa Vista
Abertura: domingo, 16 de fevereiro, às 15h
Visitação: até 27 de abril, de quarta a sexta-feira, das 10h às 17h, e aos sábados e domingos, das 10h às 16h
Acesso gratuito

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação / Cepe

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