Professor titular aposentado da Universidade Federal de Pernambuco, Mestre em História (pela UFPE), Doutor em Educação (pela Paris V) e pós-Doutor em Filosofia (pela Paris VIII), Professor convidado da Université de Montpellier III, autor de vários livros e artigos, Flávio Brayner andava intrigado com um fato que choca os amantes e fazedores da cultura: o desgaste do seu conceito através de expressões muito comuns atualmente como “cultura do estupro” ou “cultura da violência”.
Afinal, o que significa essa palavra que, pelo visto, tem hoje uma proporção bem mais abrangente. E, talvez, até distorcida. Aliás, distorcida sim, com certeza. Foi essa percepção que o levou a organizar o livro “Cultura, sobre a diversidade de um conceito”, que será lançado a partir das 19h30 dessa quinta-feira (20/3), no Museu do Estado de Pernambuco, no bairro das Graças. A ideia do livro surgiu durante a pandemia da Covid-19, quando o professor – mais atento ao noticiário – começou a se incomodar com a deturpação dos significados da cultura. Diz ele:
“Na verdade, eu andava inquieto com o uso constante de expressões como ‘cultura do estupro’, ‘cultura da violência’, que considero como sendo exatamente o contrário da ideia consagrada de cultura, como acesso ao saber elaborado e que o próprio Freud considerou como uma espécie de antídoto às nossas perversões, caso nós fôssemos movidos apenas pelo ‘princípio do prazer’. Mas, como não me arvorava o direito de deter um conceito e supor que tenha validade universal, resolvi consultar pessoas de diferentes e variadas áreas do saber, diferentes profissões e práticas, e consultá-las sobre relacionavam a sua profissão (suas atividades) com a ideia de cultura”.
Partindo dessa quantidade tão grande de significados do que se entende por cultura, Flávio Brayner consultou pessoas do Brasil e da França, de diferentes profissões, e com conceitos distintos do que seja cultura. O resultado foi o livro reunindo artigos de diferentes tamanhos, de 46 pessoas com profissões variadas: jornalistas, cineastas, teatrólogos, professores, médicos, historiadores, sociólogos, músicos, estudiosos e fazedores da cultura popular. Os temas escolhidos pelos coautores também são variados: “Cultura popular e educação popular na América Latina”, “Cultura pedagógica”, “Cultura e educação no campo”, “cultura literária”, “Quando o teatro falta”, “Cultura e aprendizagem”, “A cultura dos juízes”, “Cultura e comunidade local”, “Cultura e política”, “Cultura e democracia”, “Cultura e região”, “Urbanismo e cultura”, “Cultura e negritude”, “Mundo digital e cultura”, etc.
Entre os autores, entre outros, encontram-se: Carlos Rodrigues Brandão (Universidade Federal de Goiás), José Sérgio Fonseca de Carvalho (USP), Flávio Bryner (UFPE), Iranilda de Souza Lima (UFRPE), Lucilo Varejão Neto (Academia Pernambucana de Letras), Geraldo Freire (Radialista), Robson Braga (UFPE), Emanoel Correia (Grupo Preservar Pernambuco), Luiz Arraes (médico e professor da UFPE),José Nivaldo Júnior (publicitário), Débora Echeverria (Gerente Geral da Rede de Bibliotecas pela Paz da Prefeitura), Para Brayner, o livro pode ser definido como “uma experiência literária a respeito de nossa contemporaneidade”. E explica:
“É possível tomar um pouco de distância do nosso tempo, de nossa imersão no presente, e avalia-la com olhos que não sejam apenas aqueles oferecidos pelas plataformas, redes sociais, mídias corporativas, ‘influencers’? Acho que essa é a pergunta que esse livro tenta responder”. Então, vamos lá ao MEPE, para concluirmos, finalmente, o que se entende pelo conceito de cultura. A publicação tem o selo da Cepe (Companhia Editora de Pernambuco).
Serviço
Lançamento do livro “Cultura: sobre a diversidade de um conceito”, de Flávio Brayner
Quando: Quinta-feira, 20 de março
Horário: 19h30m
Onde: Museu do Estado de Pernambubuco (MEPE)
Endereço: Avenida Rui Barbosa, 960, Graças
Preço: R$ 80 (impresso)
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Leopoldo Conrado Nunes (Cepe)
Esse livro deve ser bem interessante e chega em um momento oportuno. O significado das palavras vêm sofrendo demasiada auteração nos íntimos tempos. Usa-se palavras e mais palavras e dão a elas significados de acordo com aquilo que corresponde ao interesse próprio de cada um.
Se nós considerarmos a cultura como um conceito amplo e diverso que compreende crenças, costumes, arte,religião e leis de um povo,região ou nação a cultura significa uma rede de significados e valores dentro da cada sociedade .
A questão ( e polêmica ) da apropriação do termo de forma banal que tanto incomoda e distorce é resultante da cultura de massa que se concentra nas grandes mídias e redes sociais,que a favorecem como um entretenimento e,como tal,adaptativa aos novos hábitos e maneiras de pensar.
Um risco,portanto, na abordagem de atos condenáveis por imposição de uma cultura que emerge como legítima devido às transformações das demandas sociais .
Ansiosa para a leituta do livro .