Filme “Joaquim” lota Cinema do Museu

 Filme “Joaquim” lota Cinema do Museu

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Gente, finalmente o Cinema do Museu começa a acontecer. Esse mês, já teve duas sessões lotadas. A primeira vez foi na exibição de JBM, o famigerado, de Luci Alcântara, durante parte das comemorações dos 80 anos do nosso agitador cultural maior, Jomard Muniz de Brito. A segunda ocorreu na última sexta-feira. Apesar do início do feriadão, Joaquim, de Marcelo Gomes ficou de casa cheia. Plateia atenta, interessada, questionadora. Acabou o filme, começou o debate, com presença do diretor e do elenco, liderado por Júlio Machado e Izabél Zuaa. Antes do Cinema do Museu, a Fundaj conseguia atrair multidões ao Cinema da Fundação, que funcionava no Derby. Aos finais de semana, a fila fazia caracol para compra de ingressos, principalmente em eventos como a Mostra Expectativa e Retrospectiva e o Festival Varilux. Como era mais central, o do Derby “pegou” rápido, formou um público fiel, e ainda oferecia uma agradável cafeteria, onde rolava papo sobre o filme que se ia ver.

No caso do Cinema no  bairro de Casa Forte, que funciona em sala anexa ao Museu do Homem do Nordeste, o público ainda é limitado. Semana passada estive lá e na minha sessão, tinha apenas dois outros espectadores.  Fiquei até triste, porque o cinema é ótimo. O público reclama da falta de estacionamento e de insegurança nas ruas vizinhas, normalmente mal iluminadas. Para a Coordenadora de Cinema da Fundação, Ana Farache, o problema não é só esse. “A frequência começa a crescer, à medida que o Cinema se torna mais conhecido”, diz. Ela soube de pessoas em Casa Forte e bairros vizinhos que ainda desconhecem essa nova opção de lazer na Zona Norte. “Por esse motivo, estamos trabalhando melhor as redes sociais, a divulgação e estudando a possibilidade de colocar uma placa marcando a presença do cinema”, diz. Tem razão. Afinal, alguém conhece um cinema sem placa indicando o seu nome e o filme do dia? É antigo, mas funciona.

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Diretor de Joaquim, Marcelo Gomes, e atores Júlio Machado (o jagunço Clemente, da novela Velho Chico) e Izabél Zuaa (portuguesa) debatem com plateia no Cinema do Museu.

Na última sexta estive lá. Fui assistir Joaquim, e fiquei no gargarejo, pois a sessão estava praticamente lotada. Muito interessante a “sacação” do Diretor Marcelo Gomes, ao mostrar um outro lado – ficcional, é verdade – de Tiradentes, já que os documentos sobre o herói são restritos ao período pós Inconfidência e aos depoimentos do período de prisão. Apesar da ficção, o diretor pesquisou a época, e tenta mostrar o que teria levado Joaquim, um funcionário da Coroa, a se rebelar contra ela. Um primeiro motivo  seria o despertar de consciência, decorrente do convívio com a dura realidade de negros, mestiços e índios. Mas não só isso.  O segundo motivo consistiria na revolta com o assalto da Coroa às riquezas brasileiras. Incluindo-se aí, os desvios para benefício de altos funcionários do Governo, um assunto ainda tão atual hoje em dia.  Com apenas uma diferença: no passado, eram os portugueses que o faziam. Hoje, são os próprios brasileiros.

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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6 Comments

  • O cinema da fundação sempre tinha público porque quem coordenava o cinema era Kleber Mendonça Filho, um especialista em cinema que participava de festivais no mundo tudo. Por estar antenado no que rola no mundo cinematográfico tinha competência para programar mostras de qualidade. Pena que o golpe forçou sua saída e da equipe que durante anos fez esse belo trabalho.

    • Esse texto é de quem nada conhece do Cinema da Fundação e do Cinema do Museu. Pode até querer promover o cinema, mas de forma tão equivocada e injusta assim, fica chato.

      • Sou frequentadora assídua tanto do Cinema da Fundação, quanto o do Museu. Estou torcendo para que o segundo dê certo também.

  • Cara Letícia,
    lamento por equívocos no seu texto. E se me permite…
    1) “Como era mais central, o [cinema] do Derby “pegou” rápido, formou um público fiel..”. Quero esclarecer que a sala do Derby, ela não (para usar seu termo) “pegou” rápido. O Derby é central, ok, mas o bairro não tinha em seu histórico o conceito de valioso ponto geográfico para cultura há décadas. O local era um deserto (na cabeça do recifense) em termos de programação cultural. Só em 2001 o cinema começou a ser frequentando por público em largo volume. Foram três longos iniciais anos de construção de uma identidade e de formação de público habitué. Essa é uma informação facinha de apurar. Está no blog do Cinema da Fundação, criado pela gestão anterior.
    2) “…e ainda oferecia uma agradável cafeteria, onde rolava papo sobre o filme que se ia ver”. Sim, existia a cafeteria, que lá se instalou dez após o início do funcionamento da sala (um, então, espaço de qualidade já reconhecido em território nacional), e o café lá se instalou por entender o ponto como algo lucrativo.
    3) sobre a sala começar a “pegar” pela perspectiva de dois debates, ponha na conta alguns outros debates realizados na sala de Casa Forte desde 2015, quando a sala foi inaugurada.
    Encerro lembrando que a gestão anterior não foi perfeita (a ideia era sempre correr atrás da perfeição), e, pela minha perspectiva jornalística, seria até bacana uma reportagem apontando velhos problemas para cobrar ajustes. Só não vejo como bacana trazer informações incorretas e injustas sobre uma gestão anterior para usá-las como degrau ao elogio a uma nova gestão, seja ela qual for.
    Cordialmente.

    • Obrigada, Joaquim, pelos seus comentários. Sou frequentadora do Cinema da Fundação nos idos tempos, e adorava a programação. Espero uma boa programação nos dois, daqui para frente. Reconheço, e muito, o prestígio que você e Kleber conseguiram imprimir àquele equipamento cultural.

  • Me parece que você não ia muito ao Cinema do Museu, né?

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