É fato. Normalmente, quando se vai ao Sertão do Pajeú, as pessoas voltam com a impressão que a alma está mais rica. É porque são tantas as histórias daquela área, onde no passado Lampião e seu bando espalhavam o medo. Mas também impunham a estética, o som, a dança do cangaço. Transformado em mito, Lampião ainda hoje alimenta o imaginário popular, é personagem de cordel, rima para cantadores. Mas nem só das lembranças do cangaço se alimentar a cultura popular do Pajeú.
A região é conhecida como celeiro de poetas, alguns que nem sequer sabem ler, mas constroem seus versos com a mesma habilidade com que manuseiam a enxada. No sábado, o Projeto Roda de Conversas leva o assunto para o debate, na Academia Pernambucana de Letras, quando será discutido o tema Nos Braços do Pajeú, no qual serão abordados o papel e a importância dos poetas do Sertão. Além disso, será exibido o longa metragem O Silêncio da Noite é que tem sido Testemunha de Minhas Amarguras.

O filme está em cartaz em todo o Brasil. Para o debate, foram chamados o poeta Jorge Filó e o cineasta Petrônio Lorena, que mostra a verve dos poetas da cidade sertaneja de São José do Egito , que fica naquela região de Pernambuco. Ele documentou, também, poetas das Ouro Velho e Prata, na Paraíba. O mediador do encontro será Cícero Belmar, Coordenador do Projeto Roda de Conversas. O acesso é gratuito. O encontro é às três da tarde do sábado (15), na Academia Pernambucana de Letras. A APL fica na Avenida Rui Barbosa, 1596, Graças.
Quando chegou à Academia, Cícero Belmar recebeu da Presidente, Margarida Cantarelli, a incumbência de movimentar a APL, e sobretudo de atrair público jovem para a casa, então mantida a uma certa distância do grande público. Uma das preocupações de Margarida era justamente abrir as portas da APL e entrar em sintonia maior não só com os intelectuais da cidade, mas também com colegiais, universitários, pesquisadores, curiosos. Ela faz questão de democratizar a Casa, inclusive convocando o público a usufruir da biblioteca da instituição. Deu certo. Assuntos como HQ, cultura geek, poesia marginal (ou periférica), cantadores populares entraram na pauta da APL, que tem cedido seu auditório, também, para a realização de apresentações musicais. Seja com o som da viola dos cantadores ou com o do piano de artistas de formação erudita.
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Texto e foto: Letícia Lins/ #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e Divulgação
