Que tal festejar o Mês da Consciência Negra no circo? É que a partir deste domingo (16/11) começa o Festival Circo Preto – Negritude no Centro do Picadeiro, que vai movimentar o Recife, duas cidades da Região Metropolitana (Camaragibe e São Lourenço da Mata), e uma da Zona da Mata (Palmares). A programação destaca o papel de artistas negros na história do circo no país, muitos dos quais sofreram apagamento, e ficaram ausentes das narrativas oficiais. Nos circos itinerantes que cruzaram o Brasil ao longo do século 20, foram homens e mulheres negras que sustentaram parte significativa da cena circense nacional, seja como palhaços, músicos, acrobatas ou montadores de lona.
O festival recupera essa memória e a projeta na cena contemporânea, com espetáculos que vão do humor popular à pesquisa de linguagem e dramaturgia corporal. A proposta é, pois, valorizar artistas e grupos negros circenses, reconhecer suas contribuições para a cultura popular brasileira e ampliar o acesso da população às artes. No Recife, as atividades – apresentações e oficinas – acontecem nos seguintes locais: Praça da Várzea (Zona Oeste), Parque da Macaxeira (Zona Norte), no Teatro Apolo (Bairro do Recife). E ainda em duas unidades do Compaz (Ariano Suassuna, no Cordeiro) e Miguel Arraes (av. Caxangá, Sítio do Berardo, Madalena.)

Há artistas do Pará, Rio Grande do Norte, São Paulo e Paraná participando do evento. As apresentações serão realizadas em espaços de grande circulação pública, como praças, parques, escolas e Centros Comunitários de Paz (Compaz), reforçando a ideia de que a cultura deve estar presente nos territórios e não restrita a equipamentos centrais. Na Praça da Várzea, no Recife, a abertura do festival terá o espetáculo “A Lenda Viva: Mágico Alakazam”, voltado para o público familiar. Em escolas públicas do Recife, como a Escola Jarbas Passarinho, crianças e adolescentes assistirão a montagens como “O Circo de Todos” e “Circo de Pulgas”, aproximando a arte circense do cotidiano escolar.
A programação também contempla ações de formação. Oficinas de “Manipulação de Claves”, “Palhaçaria e Práticas de Rua” e “Letramento Racial – Aquilombamento, Afrocentricidade e a Importância das Estéticas Negras na Pedagogia e nas Artes” serão realizadas com jovens, artistas iniciantes e educadores da rede pública. No COMPAZ Ariano Suassuna, por exemplo, a oficina com o grupo Circo Rodado (PR) dialogará com metodologias que unem improvisação, escuta coletiva e ocupação do espaço urbano como território artístico. Já no SESC São Lourenço da Mata, espetáculos como “Parêia”, do Circo Experimental Negro (PE), apresentam uma abordagem que une corpo, música, memória e política cultural.
Idealizado por Flávio Santana, o Festival Circo Preto – Negritude no Centro do Picadeiro foi contemplado pela Política Nacional Aldir Blanc Pernambuco (PNAB-PE) e conta com apoio financeiro do Governo do Estado de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (FUNDARPE), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal. O projeto também recebe incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura – FUNCULTURA.
Leia também
Começa no Recife o Festival de Circo Preto
Serviço
Festival de Circo Preto – Negritude no centro do Picadeiro
Quando – Dos dias 16 a 30 de novembro
Onde: Recife, Camaragibe, São Lourenço e Palmares
Quanto: de graça
Atrações e oficinas: Ver na programação abaixo
Programação
16 de novembro — Recife
17h – Praça da Várzea – “A Lenda Viva: Mágico Alakazam” – Circo Mágico Alakazam (PE)
19 de novembro — Recife
10h – Escola Jarbas Passarinho – Coletivo 3º Ato (PE) – “O Circo de Todos”
15h30 – Escola Jarbas Passarinho – Palhaço Fio Dental (PA) – “Circo de Pulgas”
16h – Parque da Macaxeira
Trupe Baião de 2 (SP) – “Moko”
20 de novembro — Camaragibe
16h – Parque Camaragibe — Varieté da Consciência Negra, Mestre de cerimônia: Palhaço Cafuné (PE). Com: Cia Gravidade Virtual (SP), Aranha (RN), Palhaço Paçokinha (PE), Jonauto Andrade & Renato Inácio (PE), Palhaça Carambola (PE), Cia de Circo Ancestral (PE)
22 de novembro — Camaragibe
09h–12h – EPC – Oficina: Manipulação de Claves – Cia Gravidade Virtual (SP)
17h30 – Escola Própria 7 (Mocambo) : Trupe Circuluz (PE) – “Circo Trupiada”
19h – EPC: Cia Gravidade Virtual (SP) – “Circo Dus Dois”
23 de novembro — São Lourenço da Mata
17h – SESC São Lourenço da Mata – Circo Experimental Negro (PE) – “Parêia”
24 de novembro — São Lourenço da Mata
10h – SESC São Lourenço da Mata: Circo Disney (PE) – “O Circo da Família Vidal”
25 de novembro — Recife
15h – Cine Teatro Apolo
João Ferreira (PE) – “Hamlet” (versão circense)
26 de novembro — Camaragibe
16h – Parque Açude do Timbi: Coletivo 3º Ato (PE) – “Sem Nome – O Desempregado”
27 de novembro — Recife
09h–12h – COMPAZ Ariano Suassuna – Oficina: Palhaçaria e Práticas de Rua – Circo Rodado (PR)
16h – COMPAZ Ariano Suassuna – Circo Rodado (PR) – “Magias Estarrecedoras”
28 de novembro — Recife
09h–12h – COMPAZ Ariano Suassuna – Oficina: Afroletramento Circense – Circo Experimental Negro (PE)
10h – COMPAZ Miguel Arraes – Ronaldo Aguiar – Circo de Mão (SP) – “A Saga de um Palhaço Sem Lona”
29 de novembro — Recife
17h – Praça da Várzea – Assucena Pereira (PA) – “Lérygou – Princesa do Pitiú”
30 de novembro — Recife
17h – Praça da Várzea — Varieté de Encerramento- Mestra de cerimônia: Assucena Pereira (PA); com participações de Mafê Leal (SP), Kaui Mouts (SP), Mágico Erisson (PE), Mateus Lima (PE), Cia D’Loucos (PE), Palhaço Pinóquio (PE) e Ester Albuquerque (PE).
Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação / Festival de Circo Preto
