Farra do transporte escolar não tem fim

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Alvo de investigações e na mira do Ministério Público de Pernambuco, a bagunça no transporte escolar parece mesmo não ter fim em Pernambuco. Na quinta (7/4), a Polícia Rodoviária Federal recolheu um coletivo que transportava 24 estudantes e oito adultos, sem a mínima condição para operar nesse setor. Até a licença do veículo estava vencida há cinco anos.

Foi n KM 59 da BR 232, no município de Pombos, a 64 quilômetros do Recife. Além de não possuir a obrigatória faixa indicando que é “escolar”, o licenciamento do veículo estava vencido desde 2017, sem manutenção adequada e com pneus carecas. O motorista não possuía o curso obrigatório para o transporte escolar. Ou seja, um descalabro absoluto.

Além de recolher o coletivo, a PRF transferiu todos os ocupantes para outro veículo, devidamente regularizado. A equipe lavrou termo circunstanciado de ocorrência (TCO)para o motorista. Após as autuações, o ônibus foi apreendido. Só será devolvido após as devidas regularizações.

A faixa indicando o tipo de transporte (escolar) é obrigatória nos coletivos que levam alunos. Mas em Pernambuco….

Recolher o veículo só não basta. É preciso saber qual a autoridade que contratou o ônibus em tais condições, colocando em risco a vida de pessoas que precisam do transporte para ter acesso à escola. Na semana passada, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) criou um comitê para acompanhar essa questão no estado, já que os abusos são grandes. Além disso, em março ocorreram dois acidentes graves, inclusive com vítimas fatais.

Além disso, o governo federal não parece estar interessado em ampliar a oferta de transportes adequados para a criançada, o que pode estar induzindo as autoridades do interior a improvisar em setor tão importante , e que pode até reduzir os índices de evasão escolar. Pois todo mundo sabe da dificuldade de se residir em área rural e precisar diariamente do transporte para frequentar as aulas. Nesta semana, o governo do ex-capitão anunciou a compra de 3.850 veículos, porém os órgãos fiscalizadores constataram logo indícios de superfaturamento. Os valores anunciados para compra implicariam gasto de  R$ 480 mil por veículo, quando o valor de mercado é de R$ 270 mil. Com os R$ 232 milhões que gastaria com o superfaturamento, o governo poderia ter comprado 820 ônibus a mais para o  país.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: PRF / Divulgação

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